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maio 18, 2005
ESTÁ NA HORA DE ORGANIZAR O MOVIMENTO DO “NÃO”
Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia, de que estão á espera para organizar um movimento que explique as suas razões aos portugueses? Ou o derrotismo face à gigantesca coligação do “sim”, com todos os partidos e todos os meios, já impera? Os partidários do “sim” usam toda a sua força institucional. O Presidente da República já anda em campanha pelo “sim” nas escolas, mostrando que nesta matéria não se importa de ser presidente só de uma parte dos portugueses. Sócrates, Vitorino, Cavaco, Marcelo, Marques Mendes e Portas virão defender o “sim”. O dinheiro da Comissão e do Parlamento Europeu já flui para encartes, artigos, panfletos e colóquios com os pódios ou as audiências cuidadosamente equilibrados para se parecer que se debate, quando não se debate, ou, quando se debate, não haver exposição pública dos argumentos do “não”. Está na hora de se exigir à rádio e à televisão públicas um acesso igual aos defensores do "sim" e do "não", como é suposto numa democracia.
Senão tudo será, como já é, prudente, sottovoce, regrado e controlado para que o “sim” ganhe pela porta de trás, sub-reptício, a reboque de umas eleições autárquicas em que, está-se mesmo a ver, a questão europeia vai ser muito discutida. Está pois na altura de criar um movimento, um fórum de debate público, um ajuntamento, seja lá o que for, para explicar porque razão se deve pensar duas vezes antes de assinar de cruz um tratado cujas implicações podem ser trágicas para quem deseja uma Europa unida mas uma Europa de nações e não uma híbrida construção transnacional, pouco democrática, subordinada a um directório franco-alemão e a uma burocracia internacional que funciona, como todas as burocracias, para aumentar o seu poder.
Publicado por JPP às maio 18, 2005 01:56 PM
Comentários
Bravo!
Publicado por: CAA às maio 18, 2005 03:50 PM
E' curioso que, em toda esta discussao, nunca se refira 'a liberdade individual. A Uniao Europeia e', antes de mais, um espaco geografico por onde os cidadaos europeus (todos nos temos cidadania europeia desde Maastrich) devem poder deslocar-se sem entraves, estabelecer residencia, formar familia. Onde devem ter liberdade de trabalhar, formar empresas, organizacoes civicas, etc. Depois vem a questao politica - como garantir o caracter democratico das instituicoes politicas se as condicoes acima forem cumpridas. A resposta e' simples e antiga: e' necessario que possam eleger por voto secreto e universal os seus representantes politicos a nivel local e europeu. Nao vejo alternativa senao seguir por um caminho do tipo federal em que os Estados-nacoes seriam os Estados da Uniao. (Nao precisamos de reinventar a roda!) Tudo isto decorre da ideia de que a liberdade individual esta' antes - e' primaria - do Estado nacional.
Embora o Tratado Constitucional nao estabeleca nenhuma federacao, aquele vem simplificar os mecanismos de decisao na Uniao Europeia. Dizer nao ao Tratado exigiria demonstrar que o Tratado de Nice e' melhor, que as bizantinas presidencias de seis meses sao adequadas, que existem propostas alternativas sobre a mesa (afinal tiveram mais de dois anos para elaborar uma alternativa!) que justifiquem estarmos dispostos a perder mais anos (decadas?) com discussoes intestinas em vez de comecarmos a olhar para o exterior e a esbocar uma estrategia relativa ao papel da Uniao Europeia no Mundo.
Por tudo isto, eu votarei SIM ao Tratado Constitucional.
Publicado por: MP às maio 18, 2005 04:49 PM
Então organiza-se um Movimento do Não sem sectarismos, e excluem-se os próximos do PCP e do Bloco? Eu voto Não e sou aderente do BE.
Publicado por: José Manuel Faria às maio 18, 2005 05:40 PM
Presente! Ligação efectuada.
Publicado por: JSNovo às maio 18, 2005 05:41 PM
Que saudade da velhinha europa do tratado económico.
Porque a Europa (supostamente) unida nunca passará disso mesmo: um acordo económico, que aqui e ali cumprirá travar e restringir, que nunca terá a unicidade cultural exigível a uma Europa constitucionalmente unida
Publicado por: Crítico às maio 18, 2005 06:23 PM
"nunca terá a unicidade cultural exigível a uma Europa constitucionalmente unida"
Exegivel porque? OS EUA teem uma enorme diversidade cultural, sao a mais antiga democracia e, poder-se-ia argumentar que e' que teve mais sucesso.
Publicado por: MP às maio 18, 2005 06:28 PM
Aqueles que conseguirem aproveitar a diversidade cultural a favor da sua organizacao politica e economica serao os lideres do Sec. XXI. Desses se dira', daqui a 100 anos, que foi o seculo deles. Tal como se diz hoje que o seculo XX foi o seculo americano.
Publicado por: MP às maio 18, 2005 06:32 PM
O «Sim» e o «Não» são duas pequenas palavras cruciais, que actuam em campos opostos e estabelecem entre si a dialética dos contrários. Já Jesus Cristo exortava que as palavras, as ideias, as atitudes, do homem devem ser «sim, sim, não, não», perfeita definição.
A grande questão do referendo à Constituição Europeia, é que existe por aí muita gente( a nível político e institucional) que gostaria muito de dizer «NÃO», mas tem que dizer «Sim», exactamente assim, com o som das maiúsculas e das minúsculas.
Publicado por: J.T.Parreira às maio 18, 2005 06:47 PM
Uma constituição, feita por Giscard, foi o primeiro mau sinal, depois vieram os outros!
Agora vejo a figura patética de um primeiro ministro portugues, ir para Paris, publicitar a
Constituição, no sim, quando o infeliz, ainda não conseguiu, promover em Portugal uma medida
que justifique o trabalho que o Sampaio e o Constancio tiveram com ele, para lhe dar de mão beijada o logar do pior primeiro ministro!
Agora vejo o Sampaio, a fazer piruetas para que exista um sim em Portugal!
Não só por estes dois numeros, mas pelas minhas ideias pessoais, que já divulguei, antecipadamente nos blogs O MEU VOTO È NÂO.
não tenho qualquer ligação à esquerda, que vai para 200, tenta vender um produto que não tem sucesso!
Publicado por: Tribunus às maio 18, 2005 06:48 PM
Uma sugestao para leitura - um artigo de Tony Judt, director do Remarque Institute da New York University.
http://www.nybooks.com/articles/17726
Publicado por: MP às maio 18, 2005 07:03 PM
Mas assim, isto não cheira a democracia! Então e onde está o SIM? Nem parece proposta de um ex-deputado europeu. Não nos dá alternativas.
Pois eu, voto SIM.
Publicado por: Evaristo às maio 18, 2005 07:05 PM
Agradeço ao JPP e aplaudo a iniciativa, embora nao possa votar farei campanha pelo NAO, porque não posso aceitar uma costituição que me é (im)posta sem mais nem menos à espera do SIM, não, não e não eu cá gosto muito do meu país e nao quero ter que lhe chamar provincia. Já repararam na quantidade de não que estão neste post? Nao? Então é melhor ler outra vez.
Publicado por: JTC às maio 18, 2005 08:45 PM
Estou surpreendido com o seu espírito de agregar o NÃO no sitiodonão.
Conhecio-o em Bruxelas no Parlamento Europeu, como eurodeputado e vice-presidente do P.E. e Com um discurso diferente, agora é um "Cavalo de Troia" na UE
Gostava de entender o que mudou...
Eu voto SIM!
Jorge
Publicado por: Jorge Almeida às maio 18, 2005 10:19 PM
«Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia»
Há também o PNR...
Publicado por: Corrector às maio 18, 2005 10:50 PM
Podem contar comigo para o movimento do não.
Eu não quero que o país perca a soberania e não quero uma constituição cheia de ambiguidades.
Publicado por: Diogo Silva às maio 18, 2005 10:56 PM
Atlantys está com este blog.
Força
Publicado por: Geist às maio 18, 2005 11:13 PM
Nas costas dos portugueses, políticos de várias cores preparam o fim da nossa Independência com um referendo que, sob disfarce de um “tratado”, na realidade pretende aceitar a constituição europeia , perante a qual a nossa Constituição Nacional vai ajoelhar submissa, em conformidade com o n.º 2 do Art.º I-5º: “ Os estados menbros abstêm –se de qualquer medida susceptível de por em risco a realização dos objectivos enunciados na constituição”
General Carlos Azeredo
Publicado por: Vitor Manuel às maio 18, 2005 11:59 PM
É uma pena que, à partida, tenha excluído quem vota no NÃO e é do BE e do PCP (deveria ter escrito CDU), pois à partida está a excluir muita gente que poderia trazer bons argumentos à discussão e contribuir para um maior esclarecimento acerca do Tratado.
Publicado por: IA às maio 19, 2005 01:31 AM
O meu blog associa-se ao movimento do não. O BE e o PCP podem votar "não", mas não se esqueçam que estão no Sec XXI e não no Sec XIX.
Publicado por: The Studio às maio 19, 2005 05:08 AM
Quando diz:
[...] para se parecer que se debate, quando não se debate, ou, quando se debate, não haver exposição pública dos argumentos do “não”. Está na hora de se exigir à rádio e à televisão públicas um acesso igual aos defensores do "sim" e do "não", como é suposto numa democracia.
...está mesmo só a falar da Europa? Ou também do aborto? A democracia está-se a tornar um filme, e são cada vez menos os que têm vontade de (apenas) assistir.
Publicado por: Luis Ferreira às maio 19, 2005 09:39 AM
Sejamos realistas, com a classe política que temos, que mais nos resta senão ter esperança que um dia os nossos filhos possam ser governados por alguém com essa capacidade. Se for alemão ou françês ou chinês que importancia tem isso se for competente.
Temos hoje em dia nada mais do que merecemos. Vamos aproveitar para nos educarmos todos um pouco, e talvez, com um pouco de sorte divina, possamos realmente daqui a 30 anos (mais 30) começar a ser europeus na geografia e no pensar.
Publicado por: PM às maio 19, 2005 09:56 AM
Eles não desistem e são sempre os mesmos e com a mesmíssima táctica do trauma que lhes ficou desde pequenino...ou seja simplesmente dizer NÃO.Pela estupidez e pela inveja.
Na revolta da abrilada destruiram o grande Portugal para o colocaram ao seu baixo e pequeno nível,chuparem a pesada herança até á última gota, e depois voltarem a entregar tudo aos invasores estrangeiros.
Vejam a bela obra que fizeram com "a luta continua e a vitória é certa " pela tão exigida entrega das colónias!!!Certa sim a mizéria,a destruíção, os estrupiados e a morte de grandes terras e promissores paízes!!!
Agora querem destruir a EUROPA,para fazerem o mesmo e entregarem os despojos aos yanks e aos camaradas.
Que mentes mais preversas.Que ridículos.
Não se podem exterminar de vez estes cancros da sociedade...? Não claro...porque o mundo "agora" é DEMOcrata...
Este Pacheco também nunca enganou ninguém...nunca foi ninguém...e ninguém suporta este pseudo intelectual.
Quando aparece um novo e verdadeiro herói do PSD. Um novo D. Afonso Henriques ? Um novo Sá Carneiro? - Que terá de vir do Norte, o verdadeiro berço da Pátria Portuguesa desde há mil anos.Mas não anões atrasados mentais, nem arrogantes cavacos, manequins mecánicos mercantilistas do poder de Estado forte e frios sem um olhar de desprezo para a plebe sempre pobre e submissa.
CUIDADO PORTUGUESES QUE ELES NUNCA DESISTEM nem mudam !!!
É TEMPO DE MUDAR DE RUMO.
É TEMPO DE FAZEREM A ESCOLHA CERTA, ENTRE OS HOMENS DE BOA VONTADE,DE BOM SABER E DE BOM QUERER.
ENTRE OS QUE DIZEM SIM. SIM Á PAZ,SIM Á PROSPERIDADE , SIM Á SOLIDARIEDADE, SIM Á DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA ENTRE OS VERDADEIROS PORTUGUESES, PELA IGUALDADE E JUSTIÇA SOCIAL, mas com verdade e não com pragmatismos arrogantes inúteis e falsos.
NÃO ao actual sistema inqualificável da SAÚDE.
NÃO a uma economia que só beneficia os cabecilhas com salários de dezenas de milhares de euros.
NÃO a uma JUSTIÇA que é exactamente o sinónimo de injustiça. Onde só ganham os parasitas juízes e advogados.
AQUI SIM EU RESPONDO REDONDAMENTE 100% ...NÃO.
Publicado por: Zé Português às maio 19, 2005 11:08 AM
Muito poderia e deveria ser dito sobre o conteúdo do Tratado da Convenção Europeia.
Porém quero apenas limitar-me a duas perguntas que, a meu ver, merecem uma reflexão profunda.
1 - Sabem os concidadãos que o Tratado foi, publicamente, discutido apenas num país europeu?
2 - Sabem em que país? Precisamente em França.......
Publicado por: Joaquim Ant F. Rebelo às maio 19, 2005 11:29 AM
Vamos elaborar sobre alguns factos:
A evolução histórica da europa do post-guerra começou bem com modelos Win-Win desde a CECA, o tratado de Roma e a criação da CEE, em que através da evolução positiva das economias os ganhos podiam ser revertidos em benefícios sociais, que enriqueciam todos os membros.
Passamos de uma CEE que funcionava bem com vantagens para todas as partes, para um modelo cinzento: CE, onde os políticos tem mais poder e a economia se ressente, e ninguêm perguntou a nossa opinião, nem sequer se a estructura económica é capaz de suportar os novos modelos sociais, o peso em termos de custos do gigante burocrático, dos lobbies que engolem vorazmente os orçamentos, retirando a nossa capacidade de investir para criar vantagens comparativas.
Agora o eixo franco-alemão não satisfeito com a estructura de representatividade da união que lhes favorece em termos de poder, decide cristalizar numa "constituição" um conjunto de regras, de forma a garantir a sua posição de nações favorecidas caso a entrada de novos membros cause perigo... será isto que nós queremos?
Os maioria dos nossos políticos em Portugal mantêm a sua posição de "a cavalo dado não se olha o dente" podemos "vender a mãezinha" desde que pingue algum dinheirito e possamos manter este miserável status quo! A qualidade da classe política tem vindo a cair vertiginosamente nos últimos anos... se calhar deviamos oferecer no nosso ensino "A República" de Platão como leitura recomendada, um bocadito de Ética antiga não faz mal a ninguêm...
Aliás devemos de olhar para o pragmatismo dos nossos mais antigos aliados (Reino Unido) e aprender umas lições de democracia como é o caso dos deputados representarem realmente os seus constituintes e terem o direito de abertamente fazer oposição às estructuras do partido sempre que estejam em desacordo.
Basta de fazer birras e chorar, culpar a terceiros de que as coisas estão mal, é altura de agir!
Para a maior parte da população este debate passa ao lado, não sabem, não compreendem e não tem condições, nem lhes deixam saber. Continuamos com o Fado-Futebol-Fátima e pensamos que somos todos geniais, e que evoluimos muito com a revolução dos cravos, mas continuamos uma nação pobre sem verdadeira democracia.
Temos um longo caminho para andar, muitas reformas para iniciar aqui no nosso Portugal e na Europa, não é altura de perpetuar estructuras de poder falhadas, interesses de curto prazo, temos de envolver os portugueses, dar-lhes condições para exercerem a sua cidadania, dar-lhes conhecimentos e não propaganda, começar um plano para no prazo de uma geração acabar com a ignorância, com habilitações por decreto, com o clientelismo e corporativismo que mina a nossa sociedade.
Para começar devemos dizer NÂO.
Publicado por: Juan Antunes às maio 19, 2005 11:52 AM
(...) subordinada a um directório franco-alemão (...) curioso pq 1 dos países do directório (aparente/ q iria colher dividendos) prepara-se p. votar ñ.
eu tb tenho 1 blog e sou adepto do sim n1 destes Ds, + precisa/, 13.05, tenho 1 contador, ou seja, sei q 200 pessoas viram 1 artigo sobre este tema e nem 1 comentário. sobre o não emb o keira diferente ele é igual ao do PCP e do BE
Publicado por: Vitor Mateus às maio 19, 2005 01:44 PM
Sou dos que hesita entre o Sim e o Não à Constituição Europeia, e talvez dos poucos que se deram ao trabalho de ler os 448 artigos, as declarações , os 36 protocolos(!) e os dois anexos que a compõem, o que me permitiu ter uma primeira opinião sobre o assunto.
O que, como cidadão, gostaria de ver, era uma local onde se debatessem as vantagens e desvantagens do Sim ou Não no referendo, sem preconceitos de que o não possa coincidir com outros "não" de que gostemos pouco, ou que o "sim" possa coincidir com outros "sim" pouco recomendáveis.
Parece-me aliás pouco útil criar um local onde se reunam todos os que têm a mesma opinião - o "não" mas desde que seja diferente do não da esquerda - parecendo-me bem mais útil passar ao concreto analisando as passagens mais polémicas da constituição e procurando aí criar um debate intelectualmente honesto. Desse modo teremos um espaço eficaz para o esclarecimento de todos, independentemente do sector ideológico a que pertençam.
Publicado por: António Rainho às maio 19, 2005 01:57 PM
Caro JPP,
Antes de se discutir o SIM ou o NÃO, não acha que seria bem mais interessante explicar a própria constituição europeia aos portugueses?
Será que 90% das pessoas que defendem o SIM ou o NÃO sabem realmente no que estão a votar?
Fica aqui o desafio, como "pessoa mediática" que é, seria interessante criar o sítio onde se explica a constituição europeia.
Cumprimentos
Publicado por: cachucho às maio 19, 2005 02:57 PM
De que é que estamos a falar???!!!
Publicado por: paulo pereira às maio 19, 2005 03:10 PM
Temos de nos defender da completa venda do nosso PAÍS ao gigantes da Europa
Publicado por: Fra às maio 19, 2005 04:24 PM
Apesar de não concordar com o Não, acho útil que se fale (neste caso teclar) sobre o assunto. Só com sã informação e debate de ideias e textos blogoesféricos é que será possível estarmos informados e atentos ao que se passa sobre o assunto.
patrimonios.blog.com
Publicado por: Sertorius às maio 19, 2005 05:16 PM
A posição tomada por Pacheco Pereira, no sentido de abrir caminho ao debate, que se quer esclarecido e frontal, sem demagogias ou fundamentalismos, sobre o referendo da Constituição Europeia parece-me de louvar, sobretudo quando vem de alguém que conhece as instâncias europeias por dentro e que não tem interesses pessoais na matéria. Não quero com isto dizer que sou contra a UE ou a existência de uma Constituição Europeia que possa configurar uma ordem jurídica mais simples e acessível ao cidadão europeu.
Mas, afinal quais são os perigos que a actual proposta constitucional apresenta? Provavelmente, o principal medo que alguns têm sobre o referido documento é a hipótese se haver uma perda de soberania nacional de cada um dos Estados-membros. Ora, convém alertar que o princípio da subsidariedade continua assegurado caso a UE adopte a nova Constituição. Por outro lado, numa UE que se aproxima dos 30 Estados-membros é necessário que deixemos de ter uma organização que se "embrulha" em torno dos mais de 80 000 documentos legislativos, com muita burocracia à mistura e uma reduzida capacidade de transpôr para a prática as intenções levadas a efeito em termos de uma política externa comum.
O que provavelmente não faz sentido é avançar-se para um referendo em tom de ameaça ou chantagem para com o eleitorado, numa espécie de "encosto à parede" onde se diz: "ou votas no sim ou votas no sim"... Quando se aceita o referendo as partes interessadas devem actuar de forma coerente, informando, em vez de ameaçar. E, na França, mais do que informar, há quem tenha vindo para a opinião pública em tom de confronto ou vitimização. Por cá, há que elogiar a atitude tomada por Pacheco Pereira. Esperemos é que não sigamos o caminho da desinformação...
Publicado por: Peixoto às maio 19, 2005 05:18 PM
Qual a fórmula organizativa que propõe? Já se viu que o voto referendário é transversal; tal implica a exclusão das exclusões, à esquerda e à direita. Mas isso não deixa de colocar questões de "convívio" delicadas.
Outra questão: NÃO é a posição de partida que, em certos casos, pode evoluír, e não se pode levar isso a mal...
Como creio vir a ser a clivagem SIM/NÃO decisiva para os próximos anos, muito mais do que a tradicional ESQUERDA/DIREITA, sigo interessadíssimo o desenrolar dos acontecimentos...
Publicado por: Vitor Correia às maio 19, 2005 05:38 PM
Sou a favor de uma Constituição Europeia. Sou contra ESTA Constituição Europeia. Votarei NÃO!
Mais que não fosse, analisem os artigos 5º e 10º.
Ah! Sou do BE...
Publicado por: curioso às maio 19, 2005 06:08 PM
Parabens Pacheco Pereira
Isto de andarmos a reboque da nomenclatura europeia ou dos tachistas que lutam pela sobrevivência do eixo Bruxelas-Estrasburgo tem de acabar. Mas nada queremos com vermelhoes que sempre foram contra a Europa e que hoje se debatem com problemas existenciais.
Força Pacheco.
Debatamos o Não e o Sim e os respectivos "porquês".
Blog LIBERTACAO
http://magnolia-pura.blogspot.com/
Publicado por: Toupeiras às maio 19, 2005 06:20 PM
Minha gente,
ser governado por incompetentes portgueses, britânicos, franceses ou de outra nacionalidade é-me igual.
O meu problema com esta constituição (aliás, a única parte que conheço, admito) é o facto de aumentar o poder dos burocratas profissionais em bruxelas, que não têm qualquer noção daquilo que se passa nos seus países e têm demonstrado que são facilmente persuadidos por interesses económicos.
querem poder para bruxelas, tudo bem, mas deixem-me elege-lo e parem de ignorar e enganar o parlamento com processos rídiculos e constantemente ignorados.
Eu digo que não a este rumo de uma Europa perdida, controlada por gente que não faz mais nada na vida do que tentar sobreverter a democracia.
Publicado por: Paulo Marques às maio 19, 2005 06:20 PM
Força Pacheco
Amanda-lhe com todas as tuas armas.
Blog Toupeiras
Publicado por: gargantasfundas às maio 19, 2005 06:22 PM
Nem SIM, nem NÃO. Embora esteja mais perto do não, votarei em branco pelos seguintes motivos:
- Não li a constituição
- Não alinho nem com a extrema direita, nem com a extrema esquerda, seja no que for
- Ninguém esclarece o que quer que seja
Louvo a atitude de jpp, que contra a maré institucionalizada, vai votar não.
Mes eu ficarei em branco
NWM
Publicado por: Nuno às maio 19, 2005 06:55 PM
Mais me parece que os políticos Europeus estão interessados em destruir o emprego na Europa,e deixar os seus concidadãos na absoluta miséria.Quando isso acontecer, iremos assistir a muita pancadaria na Europa,no entanto, quando isso acontecer, já esses miseráveis estão a salvo em qualquer paraíso de exilados políticos!
Eu por mim estou com o NÂO.
Publicado por: Hélio Pereira às maio 19, 2005 09:08 PM
O inefável desejo do J.P.P.de que haja independência e equanimidade por parte Presidente da República assenta, embora inefável, na ilusão de que a República tem as virtualidades da Monarquia sem a sucessão dinástica.Pura ilusão.
A República é isso mesmo - absorve as idiossincrasias dos Presidentes, os seus íntimos programas, as facções que os promovem e elegem e a doutrina que os nutre "ab ovo".
Não se pode legitimamente esperar isenção sagrada, moderação exemplar,itinerário neutro.Não foram educados para a sensibilidade ao essencial, para a atenção ao diverso, para o respeito pela herança da soberania como vínculo da história.
Com o tempo os Presidentes até começam a ter sensibilidade executiva e não resistem à sentença, ao alvitre, ao conselho persuasivo!
Por isso e por muitas outras razões acho que a Instituição monárquica é a que melhor serve o discernimento das nações.A explicação do Dr. Marcelo retrata involuntáriamente (soit disant) isto mesmo.
Este referendo merecia um Rei.
Parabéns pela sua contínua atenção ao que vale a pena se ainda nos sobrar liberdade e energia!
João Bettencourt
Publicado por: João Bettencourt às maio 19, 2005 10:52 PM
Estou a ouvir neste momento um dos primeiros portugueses que a devido tempo disse NÂO à nova constituição europeia, o Prisidente do P.N.D. Manuel Monteiro, dizendo que "A democracia está coxa quando há uma lógica de totalitarismo". Portanto sr. Pacheco Pereira seja benvindo ao NÃO. Nós já cá estavamos.
Publicado por: Mato-Santos às maio 20, 2005 12:30 AM
Estou a ouvir neste momento um dos primeiros portugueses que a devido tempo disse NÂO à nova constituição europeia, o Prisidente do P.N.D. Manuel Monteiro, dizendo que "A democracia está coxa quando há uma lógica de totalitarismo". Portanto sr. Pacheco Pereira seja benvindo ao NÃO. Nós do NÂO já cá estavamos.
Publicado por: Mato-Santos às maio 20, 2005 12:31 AM
Eu voto não.
Mas não voto por ser um nacionalista neo-fascista do PNR. Gosto do meu pais, mas não morreria por ele...
Voto não porque a Europa é apenas um Portugal em escala maior, em que as minorias são esquecidas, os pobres abandonados e as preocupações sociais esquartejadas e enterradas.
Voto Não porque não posso conceber que um Durão Barroso que deixou este pais na miserável situação seja depois glorificado no cargo de Presidente da Comissão Europeia.
Voto Não porque não quero ser vitima dos interesses económicos globais que transformarão o nosso pais num depósito de entulhos e lixos da UE.
Voto Não... mas não me misturo com as questões nacionalistas e com as questões da emigração (sobretudo porque há portugueses nos 4 cantos do mundo!).
Voto Não e sou do BE!
Publicado por: Manuel Fonseca às maio 20, 2005 01:34 AM
Por algum motivo ninguem leva os liberais a serio neste pais... Sera porque eles falam, "postam" ? Diz que sim...
Publicado por: antiliberal às maio 20, 2005 03:52 AM
Penso que será este mais um logro para a generalidade dos Portugueses que trabalha dia a dia tentando sobreviver nesta selva de corruptos (a todos os niveis e a julgar pelo que se ouve na comunicação social)desde compadrios a trafico de influências este Pais está podre,a palavra "Servir" há muito que foi substituida pela palavra "servir-me", esta "Constitução" vai servir a causa dos grandes grupos económicos,não se trata do reforço da união politica entre os Estados mas sim do reforço do poder da economia sobre o cidadão.... atentem no principio da origem; uma empresa pode trabalhar num qualquer pais de União utilizando para efeitos laborais a legislação do Pais de origem .... ou seja uma empresa Portuguesa abre uma socursal na Alemanha e todos os trabalhadores que empregar passam a estar sujeitos ao código laboral Portugûes (o chamado "pasquim do félix".Penso que primeiro vamos fazer uma união politica em que todos os cidadãos dos Estados membros tenham os mesmos direitos e deveres tenham a mesma lei a mesma ecónomia o memos nivel de vencimentos o mesmos nivel de prestaçãoes na saude e na velhice e só depois .....muito depois é que sejam consideradas novas adesões à União.Neste momento somos o parente pobre (e cada vez mais pobre) representado por (na sua maioria) "yes men" todos ligados por uma corrente maldita para o Povo Portugues que se chama "Status Quo", por tudo isto voto e apelo ao NÃO.
Publicado por: J Silva Pereira às maio 20, 2005 11:18 AM
O Sítio do Não abre o debate e é essa a sua grande vantagem. Escolher Não, ou Sim e argumentar por uma hipótese, ou pela outra já é diferente. Faço só uma pergunta: Quantos dos que aqui se dizem a favor, ou contra leram o Tratado Constitucional Europeu? Esse é o grande vazio que falta preencher... o da informação, que é necessária para qualquer juízo devidamente fundamentado. Portugal é o País dos treinadores de bancada mal informados, mas sempre muito apaixonados. Esperemos que o referendo constitua, de facto, uma oportunidade para discutir a Europa e não se fique por um momento de emoções mais, ou menos (politicamente) manipuladas.
Publicado por: Paulo Marcelino às maio 20, 2005 01:19 PM
Tenho de concordar com o comentário do Paulo Marcelino. E nada melhor do que corrigir essa situação.
Encontrei olink abaixo para o Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa:
http://europa.eu.int/eur-lex/lex/JOHtml.do?uri=OJ:C:2004:310:SOM:PT:HTML
E aqui um resumo (documento não oficial preparado pela Comissão de modo a fornecer uma informação):
http://europa.eu.int/constitution/download/summ_pt.pdf
Publicado por: Luis Ferreira às maio 20, 2005 01:37 PM
Há cerca de dois anos e meio fui confrontado com esta questão do Tratado constituicional da U.E, por isso não posso dizer que seja um assunto inteiramente novo para mim. Já conheço e embora não conheça tudo até ao mais infimo detalhe, chegou perfeitamente para chegar a uma conclusão sem precisar de qualquer tipo de campanha.
A minha posição e o meu voto, são pelo NÃO e por isso, este movimento pode contar com o meu apoio.
Publicado por: Anthrax às maio 20, 2005 02:57 PM
Talvez não tenha lido tudo, talvez não saiba tudo.
Mas, pelo que li e que sei, o meu voto será NÃO !
Publicado por: Isabel Coutinho às maio 20, 2005 11:18 PM
È minha convicção que o "integracionismo europeu" constitui uma estratégia de enquadramento internacional do País adversa aos seus interesses permanentes. A adesão a essa estratégia só se justificou como consequência, certamente inevitável, dos desastres políticos que foram a guerra colonial e o abandono de Àfrica e, também, do esvaziamento da EFTA com a adesão do Reino Unido e de outros dos seus membros à então CEE.
Tendo sido inevitável mas sabendo-se, pelo estudo combinado da geografia política, da História de Portugal, da economia e das leis da concorrência empresarial, que o "integracionismo europeu" nos seria adverso, deveria a sua condução política ter sido feita pelo menos com igual prudência à que os nossos ex-parceiros da EFTA (Reino Unido, Dinamarca e Suécia) adoptaram.
Pelo contrário a "elite integracionista" aventurou-se com total ousadia nesse caminho e, perante o desastre económico que se evidenciava no crescente défice comercial externo, foi encontrando expedientes económico-financeiros (empregos públicos improdutivos, distribuição de subsídios, "obreirismo" público e privado desmesurado,venda de património público, endividamento público e privado,etc.)que disfarçavam sob o manto de um insustentável bem-estar social o desastre que se antevia. Ora como escreveu um conceituado historiador, a persistência prolongada de um défice comercial externo conduz à desestruturação de uma economia. E esta, deduzo eu, conduz inevitávelmente ao colapso do Estado, por insuficiência de meios, quando é suposto que essa economia sustente essa forma de organização política de uma sociedade.
Do mesmo modo que no passado, enquanto foi possível escamotear os sinais da crise, se utilizaram slogans (que hoje nos parecem tão estranhos!), tais como "Portugal o melhor aluno da Europa" ou "Portugal no pelotão da frente da Europa" e outros, hoje, perante as consequências já indisfarçáveis, propagandeia-se, com igual insistência, o estribilho das "reformas estruturais por fazer" que, afinal, ninguém sabe como realizar, e que mais não é que uma cortina de fumo lançada sobre os resultados da má condução de uma estratégia adversa para o País. Bastará salientar que o Estado obeso que hoje temos é consequência, e não causa como muitos querem fazer crer, da debilidade do nosso sector produtivo, que empurrou para o emprego público a parte da população activa que nele não encontrava emprego compatível e que o Estado, por razões político-sociais, foi aceitando.
A plataforma do "Não" merecerá a pena não tanto pela simples recusa de um tratado internacional, que outros, com mais força, farão abortar, mas pela oportunidade de poder constituir o gérmen de uma nova ideia para Portugal que contribua, em conjugação com as forças que nos diversos países atlânticos priveligiam o espaço do nosso oceano comum como espaço de cooperação económica para mútua prosperidade e de soberania, para retirar o País do atoleiro em que se encontra.
Publicado por: PLS às maio 21, 2005 03:56 PM
comentário do euroliberal CENSURADO pelo democrata JPP !
Há muitos disparates que se dizem por aqui sobre federalismo, como dizer que a vontade dos portugueses não valeria aí nada. É exactamente o contrário. Portugal sozinho é que não é nada no mundo. Integrado na EU é outra coisa. Perguntem a um brasileiro ou a um chinês. Uma federação cria sinergias: a força do todo é muito superior à mera soma das partes e cria economias de escala: projectos como o Airbus (bye bye Boeing), Ariane (bye, bye Nasa) ou a futura industria de armamento só são possíveis, dadas as despesas de investigação, à escala europeia.
Muitos esquecem que um estado federal não é macrocéfalo, pois tem dois (ou mais) níveis de governação (federal, estadual, regional, municipal), sendo que o principio constitucional da subsidariedade obriga a escolher o nível mais baixo em que a solução do problema possa ser mais eficaz. Assim a educação será exclusivamente da competência nacional (a UE apenas estabelece equivalências de diplomas superiores e isto apenas para facilitar a libre circulação de pessoas). Isto é, só é da competência da federação aquilo que só possa, pelo menos com mais eficácia, ser resolvido a esse nível. Isto está consagrado na Constituição. Aprendam, leiam e deixem de falar de cor. Só é contra esta Constituição quem é estúpido e se os estúpidos destruirem a Europa deverão ser tratados à estalada. A democracia pressupõe cidadãos responsáveis, não cretinos que nem sequer sabem qual é o seu interesse próprio é que cospem no prato... Graças à UE vivemos hoje muito melhor do que há 18 anos. Querem pôr isso em risco? E julgam que os contribuintes alemães e nórdicos não viveriam muito melhor se não tivessem que subsidiar cães que mordem a mão do dono ? Por enquanto fazem-no por amor à Europa e à Paz, porque sabem onde leva o nacionalismo na Europa... Mas a paciência deles tem limites, e olhem que isto não é bluff nem ameaça. Conheço bem os alemães. Se lhes quebrarem o sonho europeu, mandam passear toda a gente e dedicam-se ao seu projecto de dominar a Mitteleuropa com o seu poderio económico e tecnológico. E depois, que fazem os irresponsáveis do Não ? Vão pedir batatinhas aos EEUU ? Se eles nem sequer pagam as Lajes... Juízo, meninos.
Só mais uma pergunta aos anti-europeus: se vocês só querem uma europa intergovernamental e não supranacional, por que não protestam também contra os subsídios UE dos fundos de coesão, regional e social ? É que tais subsídios só se justificam no quadro de uma solidariedade federal ! Em todos os estados federais, os estados mais ricos auxiliam os mais desfavorecidos, para reforçar a coesão do todo. Numa simples união aduaneira e mercado comum entre estados soberanos, NÂO HÁ SUBSÍDIOS ! É cada um por si. Só há colaboração inter-governamental para assegurar a livre circulação de pessoas, serviços, capitais e mercadorias. Mais nada !
Se a Alemanha e Portugal não são partes de um mesmo estado federal, por que razão é que os contribuintes alemães deveriam pagar biliões durante décadas para ingratos que os insultam e não consideram compatriotas ? Vocês aceitam o federalismo financeiro e rejeitam a suas consequências políticas e constitucionais ? Acham isso ético ? Que gentinha tão foleira, tão falha de princípios, de honra, de ambições, de patriotismo... É por isso que Portugal está na cauda da Europa ... com tanto estúpido à solta...
Publicado por: Anti-censura às maio 21, 2005 06:01 PM
"Vocês aceitam o federalismo financeiro e rejeitam a suas consequências políticas e constitucionais ? Acham isso ético ? Que gentinha tão foleira,..."
*
Ah! Afinal é uma questão de preço! Eis um apelo aos portugueses para se venderem de olhos vendados. A ideia parece ser "toma lá uns euros e assina de cruz a lei que alguns de nós redigiram sem discussão". É absurdo achar que algum ou alguns países deu/deram por altruísmo.
Quer-me parecer que o Anti-censura confunde o conceito de federalismo com o de colonialismo.
Publicado por: IP às maio 21, 2005 07:21 PM
Limitei-me a levar ao rídiculo do seu argumento. É que estranho que alguém ainda acredite no PAI NATAL! Ele aí está. Em vez de vir da Gronelândia, vem da Alemanha, bondoso, altruísta, entra nas chaminés dos pobres e mal agradecidos portugueses e deixa presentes a troco de nada! Tenha Dó!
Publicado por: IP às maio 21, 2005 10:40 PM
Vou votar SIM, no próximo dia 1 de Junho, aqui na Holanda, onde, desde há bem trinta anos, desconto quase 50% do salário, entre outras coisas para fazer esta Europa. Que a própria Holanda se incline, nas actuais sondagens, para o NÃO tem também a ver com o dinheiro que daqui sai para a Europa. Somos os que, por cabeça, mais pagam para o bolo comum. Também a malta aqui - que provavelmente acabará por votar SIM - anda frustrada.
Achei excelente que 'Anti-Censura' já o tenha dito acima. Sim, senhores, foi daqui da Europa do Norte que saiu uma massa razoável para que vocês aí tivessem mais algum conforto e perspectiva. É verdade, senhores: já lhes pagámos alguns cafés! Foi de bom coração, nós próprios achámos normal, nem precisam de agradecer. Agora, espera-se que sejam, por mais esta vez, coerentes. E que não aproveitem a onda para dar efusão a frustrações, nacionais ou pessoais. Procurem outros, mais saudáveis, pretextos.
De momento, parece-me isto claro: enquanto os defensores do NÃO fugirem a desenhar-nos o 'Portugal Alternativo' correspondente, não se os pode tomar a sério. Chatice é que eles tão a sério se tomem, a ponto de ser já 'chique' votar NÃO. Aí, só resta pedir a Deus que tenha, depois, um pouco de piedade. É quase certo que vão precisar dela.
Publicado por: fernando venâncio às maio 22, 2005 08:54 AM
Lá se vai discutindo um NÃO vazio e um SIM cheio de nada,dando assunto para todos os gostos. Mas na realidade, poderia apostar que 95% dos Portugueses não fazem ideia do que é essa coisa da constituição europeia.Quais são os seus benefícios, quais são os seus contras.Eu faço parte desses 95% e recuso-me a dizer sim só pelo facto de me dizerem(dizem-me os nossos políticos que como todos os dias se vê não entendem patavina de nada a não ser olhar para o seu umbigo)
Publicado por: carlos ventura às maio 22, 2005 10:01 AM
Embora o "sim" não me agrade, neste momento não tenho fundamentos para dizer "sim" nem "não"; por isso sugeria que fosse divulgado o texto do "tratado" ou da "constituição" europeia. Acho que sem acesso à leitura ou discussão do texto não tenho, em consciência, hipótese de tomar posição.
Será que haverá na NET algum sitio onde possa ter acesso à leitura do texto?
Publicado por: Dinis Evangelista às maio 22, 2005 04:08 PM
Há aqui mesmo, no SitioDoNão, dois posts (um de dia 18, outro de hoje) onde é encaminhado para o texto da Constituição Europeia.
Publicado por: sinaleiro às maio 22, 2005 09:38 PM
Corrijo: dois posts, um de dia 18, outro de ontem.
Publicado por: sinaleiro às maio 22, 2005 09:41 PM
= Não fui tido nem achado para manifestar opinião sobre a adesão à então CEE;
= Não fui tido nem achado para manifestar concordância ou não com Shenghen;
= Não fui tido nem achado para me manifestar sobre Mastrich;
= Não fui tido nem achado na adesão ao Euro;
= Não fui tido nem achado na aprovação das Agendas de Bolonha e de Lisboa, etc. etc.
Porque veêm agora, já depois de terem assinado o Tratado Constitucional, pedir o meu sim ?!!
O que mereciam e me apetecia era dizer já NÃO.
Mesmo assim ainda vou ler com cuidado os quase 500 artigos do TC e quando chegar o dia do refe-
rendo votarei em consciência .
Fonseca Costa-Coimbra
Publicado por: Fonseca Costa às maio 23, 2005 03:54 PM
A Europa não é uma unidade, nem física, nem política. A Europa é uma manta de retalhos, constituída pelas mais diversas culturas, e pelas "mais variadas gentes". Que se foram "ajustando" ao longo de séculos (de guerra, principalmente). Ainda hoje há povos europeus que não se sentem integrados nas fronteiras em que foram envolvidos. Será que a “União Europeia” poderá resolver esses problemas, sem criar outros ainda maiores ? É preciso não conhecer a História dos povos europeus para pensar que isso não é uma utopia perigosa.
É por isso – e não por ser de “direita” ou de “esquerda” – que eu direi sempre NÃO a essa ideia.
Lembram-se do que aconteceu na Yogoslávia ?
Depois, queixem-se que é “nacionalismo”. O nacionalismo existe e não tem, em si, nada de mal. O problema é o acirrar dos nacionalismos. Que é o que acontece fatalmente quando se pretende unir “à força” aquilo que não é uno.
A CEE era uma coisa completamente diferente. Essa aceitei (embora não tivesse sido consultada, como deveria ter sido). Os povos são livres de estabelecerem entre si tratados económicos ou outros, desde que não interfiram com a sua identidade. A partir daí, tudo é ilegítimo.
Publicado por: Isabel Coutinho às maio 24, 2005 04:40 PM
"Que é o que acontece fatalmente quando se pretende unir “à força” aquilo que não é uno. "
De acordo com o Tratado Constitucional, um pais pode sair da UE quando o desejar. Isso nao esta'
previstos nos tratados actualmente vigentes. Por isso, parece-me no minimo um pouco alarmista comparar a UE que resulta do TCE com a Jugoslavia...
Pessoalmente, continua a ser para mim um misterio quais as vantagens de manter fronteiras e obstaculos 'a livre circulacao e estabelecimento das pessoas em territorio europeu. So' ganhamos com isso - o que e' que perdemos?
Se o problema e' o medo de um poder central arbitrario, deveriamos lembrar-nos que foi exactamente no contexto do Estado-Nacao que tivemos os mais opressivos regimes totalitarios durante o sec. XX.
Publicado por: MP às maio 24, 2005 11:49 PM
"Se o problema e' o medo de um poder central arbitrario, deveriamos lembrar-nos que foi exactamente no contexto do Estado-Nacao que tivemos os mais opressivos regimes totalitarios durante o sec. XX."
Os Estados-Nação nasceram bem antes do séc. XX.
Mas foram as tentativas expansionistas (reincidentes) de alguns destes Estados que levaram à criação de Impérios, com a consequente subjugação de outros Estados e de outros povos.
Para só falar nos Impérios Europeus (modernos), podemos citar o dos Habsburgos, o Napoleónico, as duas tentativas germâmicas, e o Soviético. Com as consequências que se conhecem.
O que está a acontecer agora, quanto a mim, é uma tentativa de obter, por outros meios, aquilo que não foi conseguido pela guerra: o domínio hegemónico, por parte de dois Estados Nação europeus - França e Alemanha - da totalidade da Europa. A Rússia, por enquanto, está de fora. Até ver.
Se alguém pensa que o "projecto europeu" é altruista está, pelo menos, a ser ingénuo.
Publicado por: Isabel Coutinho às maio 25, 2005 04:42 PM
Numa discussão referente ao Projecto do Tratado Constitucional, eu gostaria essencialmente que me fossem expostas da forma mais simples possivel, as grandes diferenças entre o antes e o depois, sem pressupostos ideológicos de "sim" ou "não" (essa seria depois a minha decisão). Eu não estou à espera que me digam para votar "sim" ou "não" (penso pela minha cabeça), mas este local de discussão (não aberta como seria desejável) que suscitou a minha curiosidade, pela sua divulgação nos media (ser-se mediático tem essas vantagens...), também me desiludiu, pois ainda não li uma única razão para eu me decidir! Só vejo comentários mesquinhos de quem não sabe apreciar o que a União Europeia representou para nós (e eu sei que não existe o Pai Natal, e sei também que o altruismo só está ao alcance de muito poucos e não certamente neste tipo de organizações...)! Alguma coisa tem de ser mudada no modo de tomada de decisões, pois a Europa a 25 (27 brevemente) não é a mesma coisa que a 12 ou a 15... Acho também natural que quem mais contribui tenha maior poder de decisão. Espanta-me é que essa Europa que muitos criticam não nos exija a devolução dos milhões e milhões desbaratinados por cursos de formação e formandos fantasmas, projectos de desenvolvimento e remodelação que redundaram na comprinha do famigerado Ferrari e na construção do casinhoto com piscina e court de ténis.
Publicado por: José Sousa Pinto às maio 26, 2005 11:19 PM
Estou de acordo com o Jose' Sousa Pinto. Seria interessante que os partidarios do nao avancassem com motivos concretos. Ate' agora invocaram apenas "perigos" vagos - sugeridos e nao concretizados.
E acrescento: muitos protestos contra os "politicos" - inclusive da parte do JPP que e' um politico... Eu nao tenho ma' opiniao dos politicos, como nao tenho ma' opiniao dos medicos, ou dos engenheiros, ou seja de que classe profissional. E acho que dizer mal dos politicos sem apresentar factos concretos, dizer mal porque eles funcionam de acordo com as regras de funcionamento democratico - mais ou menos eficientes, essa e' outra questao - da UE nao contribui para as melhorar. Regras essas que foram aprovadas sempre pelos representantes eleitos democraticamente em cada pais membro. Pelo contrario, descreditar os politicos, fragiliza a democracia. E' um caminho facil e irresponsavel.
E sejamos coerentes: se queremos o funcionamento da democracia na UE seguido de forma muito proxima pelos cidadaos europeus, entao nao conheco alternativa ao estado federal. Caso contrario, cada pais elege os seus representantes para o Parlamento e os seus governos, e estes vao representa-los em Convencoes constitucionais ou nao. Se estou enganado, qual e' entao a alternativa?
Publicado por: MP às maio 27, 2005 06:36 PM
É assim que se ganham causas? Sectarismo e divisão? É tipicamente à portuguesa....
Publicado por: LP às maio 29, 2005 10:18 PM
Pois é!
Apenas vejo nos votos NÃO um puro e simples acto de rejeição e uma TOTAL ausência de propostas alternativas. Este NÃO mais parece ao fim e ao cabo uma federação de protestos e queixinhas que nada têm a ver com o Tratado mas antes com "problemas domésticos" e "ajustes de contas" politico-partidários. Foi aliás o que aconteceu em França.
Vejo muita gente dizer que não vota no Tratado ou vota em branco porque não o conhece ou nunca o leu por ser muito extenso.
Acho graça!
E acho graça porque muito provavelmente desconfio que são as mesmas pessoas que não conhecem também a nossa Constituição Portuguesa ou não conhecem sequer os programas partidários dos partidos onde vão sempre votar.
Tal como os católicos que o são mas que nunca leram a Bíblia.
Haja pachorra!
Votar Não é votar CONTRA a Europa.
Eu sou pela Europa ... voto SIM!
Publicado por: Francisco às junho 12, 2005 12:28 AM
Votar NÃO, não é votar "contra a Europa". É votar contra um determinado modelo de Europa decorrente de uma "Constituição" outorgada sem qualquer legitimidade democrática por um grupo de indivíduos que se auto-mandataram para tal.
A isso, eu voto NÃO
Publicado por: Isabel Coutinho às junho 13, 2005 08:02 PM
Dizer NÃO ... é fácil!
Que alternativas ... se é que querem ser construtivos.
Que ALTERNATIVAS ...
Publicado por: Francisco às junho 13, 2005 11:01 PM
Não sei muitas, mas aqui vai uma:
Desistir definitivamente da ideia utópica de transformar países soberanos em regiões de um grande país único, com uma só constituição, um só presidente, um só ministro dos negócios estrangeiros, etc.
Que se fiquem por uma C.E.E.
A ideia de uma União Europeia, tipo União Soviética, se for tentada, acabará como acabou a URSS. Ou talvez pior.
O sistema que agora nos querem impingir não irá acabar com os "nacionalismos", como pretendem os partidários do Sim. Irá acirrá-los. E isso (que já se está a fazer sentir), é perigoso, como todos sabem.
Outra guerra, mesmo que disfarçada de guerra civil, NÃO !
Publicado por: Isabel Coutinho às junho 15, 2005 03:28 PM