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maio 27, 2005

ESTRANHA DEMOCRACIA: SE A VONTADE POPULAR NÃO FOR O "SIM" REPETE-SE A VOTAÇÃO QUANTAS VEZES FOR PRECISO

En cas de non, un retour aux urnes ? Un nouveau référendum, c'est la proposition avancée hier par le président en exercice de l'UE., Liberation.

Publicado por JPP às maio 27, 2005 10:23 AM

Comentários

Está descoberta a razão para o NÃO em França ganhar: afinal não tem nada a ver com a Europa: o problema é de política interna. As pessoas é que não sabem votar – não estão habituadas, é o que é! Se não passassem a vida a abster-se tudo seria diferente... – e votam contra o Governo sem saber que assim põem em causa a sua tão querida Mãe-Europa! Espero que os responsáveis e democráticos governantes franceses os perdoem – afinal, não sabem o que fazem – e lhes dêem oportunidade de emendar a mão, se eles falharem desta vez.

Publicado por: Nuno Dias às maio 27, 2005 10:35 AM

A ideia que os "políticos" têm sobre o referendo, enquanto mecanismo de participação directa, decorre da forma como entendem o Poder: os "políticos" existem para servir o "povo", mas por todo o lado, de uma forma ou de outra, acontece o contrário. Assim, não estranho que os partidos que defendem o sim, pretendam ganhar pela exaustão, de resto, o mesmo fariam os outros se tivessem instrumentos para isso. A partidocracia e os referendos dão conflito.

Publicado por: Pedro Cavaco às maio 27, 2005 11:10 AM

A proposta do presidente da UE tem precedentes elucidativos: os irlandeses desobedientes voltaram às urnas até dizerem "sim" ao Tratado de Nice.
Antes disso, os noruegueses também tiveram de ir duas vezes a votos até Bruxelas se convencer de que não queriam mesmo entrar para a CEE (na altura ainda era uma comunidade).
Mas estarei a ver mal, ou não é a mesma coisa que se pretende fazer em Portugal com os referendos sobre o aborto e sobre a regionalização: repetir a votação as vezes necessárias até vencer a resposta que quer a maioria partidária do momento?

Publicado por: pf às maio 27, 2005 04:14 PM

Mas a questão prende-se com o facto de um cidadão ler um Tratado (elaborado com compromissos e negociações) e dizer que vai votar contra pois não concorda com o Art 8ª. Um outro dirá que está de acordo com tudo, mas o artª 356 não deve passar..., etc.

Assim é difícil contentar todos e o "não" tem uma probabilidade de ocorrência muito maior que o "sim"; é a matemática...

Por isso é que se defende que tratados devem ser ratificados pelos Parlamentos.

Claro, se o cidadão for orientado para as grandes questões europeias, o "sim" e o "não" têm a mesma probabilidade de ocorrência. Mas não é isso que acontece em França onde os anti-Chirac se associaram aos Le Pen. A somar a isto ouvi ontem um francês dizer que vota contra porque não são dados limites ao crescimento da União, esquecendo-se que o alargamento se pode fazer mesmo com o "não" a este Tratado...

Publicado por: Ricardo Charters d'Azevedo às maio 27, 2005 06:40 PM

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