« BLOGUES PELO NÃO | Entrada | »

maio 30, 2005

Fernando Igreja - O QUE É ISTO? + ANEXO

Gostaria que alguém me explica-se quais as vantagens e desvantagens de votar sim ou não à constituição europeia. Até agora só sei que nada sei e muito menos percebo. Ninguém me explica o que ganhamos e o que perdemos. Ninguém me disponibiliza uma Constituição legível ou, pelo menos um resumo dos seus itens mais relevantes (nem para me enganar). Será possível votar NÂO PERCEBO NÉPIAS ou PORQUE É QUE ME FAZEM ESTA PERGUNTA SE NÃO SEI DE QUE ESTÃO A FALAR? Honestamente acho que seriam as respostas mais dadas.

Daqueles que me pedem para votar sim ou não, duvido que algum me saiba dar uma resposta convincente mas, não é possível esclarecerem-nos as dúvidas mais elementares a nós, simples e obedientes cidadãos? Eleitores? Não somos nós que temos de decidir?
Por exemplo, A nossa Carta Magna, à portuguesa refiro-me, vai passar a ser uma “cartinha” dependente da outra? Ou serão independentes uma da outra? Vou-me reger pelas leis europeias ou pelas leis nacionais? Se as leis são iguais, como defendemos as nossas especificidades? Se os salários são diferentes, se as prestações sociais desiguais, se trabalhamos horas distintas (uns europeus dos outros), etc., vamos obedecer leis idênticas? Pagar multas no mesmo montante? Sei que estas são perguntas que podem parecer idiotas, mas se fizer outras corro o sério risco de não serem respondidas é só para fazer alguma pergunta, questionar alguma coisa, pois não sei nem do que estão a falar nem daquilo em que vou votar. Porque eu voto sempre, não se esqueçam, tenho tido algumas dúvidas mas as eleições são para mim sagradas, até as europeias. Sim as europeias, aquelas que ninguém vai votar e onde se castigam as políticas nacionais. Repito, nacionais. Ainda não somos verdadeiros europeus. Façam-nos sê-lo, não nos obriguem a tal.
Meus senhores, não estarão a começar a casa pelo telhado? Para existir federalismo, não é necessário todos nos sentirmos parte de uma federação? E não é só sentir como ser. Até ao momento tudo na Europa me pareceu claro e transparente mas, desde o 11 de Setembro que as coisas se precipitaram um pouco (isto é só um sentimento), como se fosse necessário agora, frente ao avanço muçulmano, construir uma identidade à pressa. Ainda agora entraram mais uma dezena, vamos lá ter calma. É necessário, dentro da minha modestíssima opinião, solidificarmos os laços antes de nos juntarmos como uma família que ainda não somos, pois podemos cair no risco de rompermos esses laços enquanto estão muito frágeis.
Sejam claros e transparentes, estamos fartos de ameaças e meias verdades. Se por um lado nos pedem que aumentemos a nossa franzina educação, por favor não façam de nos simples bonecos votantes com o único intuito de querer parecer bem perante os restantes países europeus. Parece que se votarmos negativamente a Constituição Europeia, passaremos a vergonha e humilhação que o actual Presidente francês representou no seu discurso de derrota perante o seu “malogrado” povo.
Exijo, repito, exijo, que eu e os demais cidadãos deste país, sejamos esclarecidos, informados, que nos deixem pensar bem no assunto e não tentar disfarça-lo no meio de umas eleições para escolha de caciques oportunistas (não todos) em que se transformaram as eleições autárquicas. A Europa merece melhor sorte e melhor empenho por parte dos políticos do que a luta por puros conflitos futebolísticos, interesses urbanísticos e de empreitadas avulsas e em tempo recorde.
Meus senhores, a Europa tinha um futuro. Lento, mas um futuro. Não apressem o que tem de ir a seu ritmo. O excesso de velocidade pode ser fatal. Não façam e depois digam que pertencemos. Pertençamos e depois façam.
Desculpem este meu desabafo. O desabafo de alguém comum que só conseguiu alguma formação algo tarde mas alguém preocupado com o futuro deste país que também é meu, meu e de mais nove milhões de pessoas. E é triste que ninguém lhes dê uma simples explicação. Nem sequer um resumo. Nem sequer uma satisfação.
Com o devido respeito intelectual por quem o é, desculpem a minha ignorância, mas lembrem-se que só é ignorante quem não tem possibilidade de aprender.

Fernando Igreja

ANEXO :

Pedido de desculpa


Venho por este meio pedir as minhas desculpas pelo erro ortográfico grosseiro cometido por mim no início do meu comentário de ontem, dia 30 de Maio, sobre a Constituição Europeia no sítio do não. A todos quantos se dignaram a ler o meu texto transmito assim o meu “mea culpa” por essa razão.
De todas formas e sem com isto querer justificar esta minha incorrecção, esta situação fez-me pensar. Ninguém me conhece. Era a primeira vez que ousava escrever, ou sequer exprimir a minha opinião num meio de comunicação. Nunca em tempo algum escrevi, telefonei ou dei a minha opinião sobre assunto algum. A minha profissão não é para aqui chamada, nem o meu estatuto social ou, inclusive, a minha formação escolar.
Tendo em consideração todas estas razões, pergunto: só têm direito a expressar-se aqueles que sabem bem escrever e que não cometem erros? Se assim for, duvido que uma boa percentagem de portugueses tivesse a isso direito. Repito que esta minha consideração não justifica nenhum tipo de incorrecção e que eu, sou o primeiro a não a dar.
De todas formas reconheço que corei e que não foi um estímulo para mim receber (merecidamente) as críticas a que fui submetido. Talvez por isso necessite redimir-me escrevendo novamente, para que este episódio não me coíba de expressar a minha opinião sempre que ache por bem faze-lo.
Obrigado aos meus críticos e aos meus defensores, a todos digo que tentarei que o sucedido não passe de um episódio isolado. Obrigado.

Fernando Igreja

Publicado por JPP às maio 30, 2005 04:41 PM

Comentários

Um comentário ao erro ortográfico da frase de abertura do texto e que me tirou a vontade de continuar a leitura!Fernado Igreja quereria dizer "gostaria que algém me «explicasse»"? Então por que encontro "gostaria que algém «explica-se»?

Publicado por: Maria Emília Marques às maio 30, 2005 05:06 PM

Maria Emília Marques veja lá se acerta com o "u" do seu teclado e passa a escrever "alguém" em vez de "algém"... é que corre o risco de "alguém" perder a vontade de ler o que escreve!!

Publicado por: Catarina Morgado às maio 30, 2005 06:22 PM

...to Catarina Morgado:
...longe de mim fazer juizos precipitados; porém, aceito mais facilmente o erro da falta do "u" no "alguém" da Maria Emília do que o "explica-se em vez de explicasse" no caso do Fernando...
...no entanto, a Emília mereceu a tua batidela...
...infelizmente, a nossa língua perdeu a qualidade que já teve em tempos idos; hoje, gente de muita "categoria" fala de uma forma tão esquisita que nem sei se estou no Portugal que me ensinou a ler e a escrever; bem sei, que no meu tempo aprendi a tabuada a cantarolar e hoje nem se aprende pois a máquina de calcular está ao lado...
...coisas dos tempos que passam

Publicado por: quim às maio 30, 2005 06:42 PM

É curioso e sintomático que, perante um texto que tem, sem dúvida, inúmeros pontos de reflexão e dúvidas que são reais para a grande maioria dos leitores, sejam os erros de português que provocam o debate! Mais uma vez a arvore a tapar a floresta.
Quanto ao texto, em si, acho-o perfeitamente pertinente e subscrevo-o.

Publicado por: Luis Figueiredo às maio 30, 2005 08:09 PM

É pena que um erro ortográfico tolde a capacidade de comentário para o essencial.

Caro Fernando Igreja,

O que fez foi exemplar, nada mais nada menos do que definir a postura da maioria dos portugueses perante a Constituição Europeia. É curioso que mesmo entre os nosso deputados o texto do tratado seja desconhecido. Aliás, não espanta, a cada legislatura o nível dos que entram decresce, mas esta já seria uma outras conversa.

Sabendo que a sua ignorância não é tanta quanta quer fazer parecer vou fazer de conta que acredito e aconselhar uma visita ao endereço www.cijdelors.pt (link na coluna direita deste blog). Antes de se atirar à leitura do Tratado, na versão integral comece pela Apresentação ao Cidadão, depois passe pelo dossier temático.

Como é costume apesar de todas estas leituras ficamos a saber alguma coisa e não tudo, que isto da lei tem as suas tortuosidades.

Vai daí, é bom ir lendo jornais e digitando nos motores de busca os temas que procuramos, consultando a opinião de uns e outros até termos a própria.

Publicado por: outraignorante às maio 30, 2005 08:11 PM

3 comentários e ningém tenta responder ao pedido de ajuda que é também o meu, preferindo falar de erros ortográficos. Estamos na 5ª dimensão, Fernando!

P.S.: A falta do "u" foi propositada. É para dedicar às 3 Edite Estrela...

Publicado por: Jorge Cardoso às maio 30, 2005 08:16 PM

Parem com isso!
Explicar o que perdemos ou ganhamos também eu procuro saber, já o pedi aqui neste Blogue.
Quanto ao longo e fastidioso texto constitucional, encontra-o aqui neste blogue, basta procurar.
Também o pode encontrar em:
http://european-convention.eu.int/docs/Treaty/cv00850.pt03.pdf

Publicado por: Duarte Lopes às maio 30, 2005 10:01 PM

Ou aqui: http://www.fd.uc.pt/CI/CEE/pm/Tratados/Constituicao/

Publicado por: Alvim às maio 31, 2005 12:29 AM

Na vida as pessoas teem de aprender a tomar decisoes sem ter toda a informacao relevante. Toda a gente aceita esta ideia se estiver a ler um livro sobre empresas, negocios e estrategia. Nao sera' tambem assim na politica? Ate' porque a quantidade de informacao que uma pessoa tem disponivel e' proporcional ao esforco e tempo que esta' disposta a dispender para a adquirir.

Publicado por: MP às maio 31, 2005 04:27 AM

bastou uma pequena amostra de globalização e a economia europeia veio por água abaixo, pese embora as políticas de emprego e formação profissional, de quadros comunitários de apoio, das campanhas da produtividade, e outras formas afins de esconder a dura realidade de que o mundo está a mudar, de que estamos a viver o princípio de uma verdadeira e tremenda revolução que nos há-de arrastar a todos para o abismo capitalista global

Publicado por: vitor serra às junho 1, 2005 12:08 PM

Um conselho: quem quizer perceber o quê é e para que serve a Constituição tem que compreender o que é que ela modifica em relação aos tratados actualmente em vigor. Essa é que é a questão (o "contexto" como diz o JPP): se entrar em vigor o que é que será diferente? Quem quiser verdadeiramente informar-se pode ir ao site do Parlamento Europeu e procurar a resolução que ele aprovou sobre a Constituição em 12 de Janeiro de 2005. A explicacção de motivos do relatório que esteve na sua base explica muito bem as modificações, com grande sobriedade. Atacar a Constituição porque "cristaliza" o princípio da concorrência leal é pura demagogia. Com ou sem Constituição ele está já "cristalizado" há cinquenta anos nos tratados que vão continuar em vigor ainda que a constituição não seja ratificada. Assim como é demagogia pura dizer que ela transforma a União intergovernamental em União federal, ou que os grandes vão ter mais poder que os pequenos, ou que ela diminui os direitos dos cidadãos face aos que as suas Constituições lhes conferem. Basta ler o texto e ver que é falso. O que a Constituição faz é delimitar melhor as competências da União face aos Estados membros, reforçar o a eficácia, o carácter democrático e a transparência das instituições e dos processos de decisão, reforçar os direitos dos cidadãos. è isso que resulta claro quando se compara o que há agora com o que a Constituição propõe. Quando se diz "não", está-se a dizer sim à tal "concorrência leal" que já lá está, mas não "à cláusula social" que a Constituição traz. Quando se diz "não", está-se a dizer "sim" a legislação aprovada pelo Conselho sozinho, à porta fechada sem que o PE tenha alguma coisa a dizer e "não" a legislação adoptada pelo Conselho em público, conjuntamente com o PE ( se uma dos dois se opuser não há legislação). è isso que é democracia e respeito pelos Estados e pelos cidadãos. é isso que a Constituição traz...

Publicado por: Vicente do Carmo às junho 1, 2005 04:42 PM

Comente




Recordar-me?