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maio 30, 2005
HÁ QUEM NÃO APRENDA NADA
Esta insistência em “continuar” com a Constituição contra tudo e contra todos, afirmada por Jean-Claude Juncker., Durão Barroso e Freitas do Amaral, mostra a cegueira e a falta de espírito democrático (e na vez dele, espírito burocrático) com que se pretende impor uma solução indesejada. Por um lado, não querem perder a face, por outro, não sabem sair do sarilho em que se meteram. Mas o que mais falta é bom senso, porque qualquer pessoa que pense percebe logo queé uma atitude que só aprofundará a crise para que empurraram a Europa. Alguém pensa que sem a França, a Holanda e o Reino Unido, pelo menos, é possível haver uma União Europeia assente nesta Constituição?
Publicado por JPP às maio 30, 2005 01:06 AM
Comentários
A Europa poderá ter ganho hoje outro fôlego. Poderá! Porque o esforço de garantir uma Europa que respeite a individualidade, a necessidade de tratar os diversos males com diversas receitas, está ainda por fazer. Mas deu-se um passo importante no sentido da compreensão das idiossincrasias específicas, da importância da política económica e social se virar para as populações, da necessidade de terminar com políticas assentes em neo-liberalismos conducentes à ruína dos estados, destes ganharem consciencia da necessidade de intervirem de uma forma bem mais activa e reguladora na actividade económica, dando outro sentido ao exercício político e à preocupação social.
O movimento para a criação de uma consciência europeia baseada no respeito pelas diferentes vontades, culturas, história e tradições dos povos que a compõem, dispostos a construir um espaço onde a condição de europeu não colide com a noção de cidadania, começou agora. A recompensa final será uma sociedade mais igualitária e menos sectária, mais solidária e menos elitista, mais humanizada e menos excludente.
Publicado por: João Fernandes às maio 30, 2005 02:11 AM
Estes políticos querem confundir na cabeça das pessoas o dinheiro que veio da UE com o sim à Constituição. Não explicam a perda de soberania...
Publicado por: alice às maio 30, 2005 04:06 AM
Mais do que um comentário, o que aqui deixo é um pedido. De tudo o que li e ouvi não posso deixar de concordar com a sua prespectiva. O que lhe peço, é que, de uma forma acessível, me (nos) esclareça, quais as questões de fundo da actual constituição, que deveriam ser alterados para que o texto, pudesse de si, obter o Sim.
Publicado por: Vieira Pedro às maio 30, 2005 07:58 AM
Em França a maior parte da população votou com as franjas extremistas neste referendo. As lideranças dos maiores partidos centristas se viram em minoria.
Tendo em conta o movimento do voto françês para a extrema direita nos últimos anos, e tendo em conta também a maior parte das motivações do voto no não, a situação é no minímo preocupante. A divisão do partido socialista françês neste referendo se poderá verificar como uma descarada irresponsabilidade em eleições futuras.
Não creio que sejam oportunas as alegrias libertárias que se gostam de afirmar acerca deste resultado. Outras situações em que maiorias eleitorais optaram por soluções não defendidas pelo dito status-quo em sociedades democráticas terminaram muito mal, e é com estas situações que vejo mais parecenças, guardadas as devidas distâncias mas tidas em conta as claras analogias.
Provavelmente o mesmo pelos mesmos motivos, mais ou menos, se passará em Holanda. Noutros países como Inglaterra e Polônia o mesmo poderá passar mas por diferentes motivos.
Quando a calma de espírito sabe que este Tratado significa em geral simplificação dos tratados acumulados anteriores, colocar os cidadãos no centro do significado da palavra Europa, e a simplificação da relação destes com as suas instituições; se retira fundamento á crítica anti-burocrata e anti-institucional com que baseiam os seus argumentos a favor do não pessoas como Pacheco Pareira e outros.
Os sentimentos chauvinistas locais europeus incham seus peitos com a ajuda eventual da esquerda tonta disponível. Isto não pode ser bom.
A única ajuda que podemos fazer desde a parte de Europa convencida de si mesma enquanto pudermos (o limite oficial aceitável parece estar em quatro para os países que digam não...) é seguir em frente com Alemanha (onde os partidos de esquerda e de centro-direita devido a sua experiência histórica têem menos tendência para aventuras tontas) e forçar França e restantes a entrar mais tarde. Com novo referendo está claro. Outra emenda qualquer poderá ser pior que este soneto.
(post publicado em leileteia.blogspot.com)
Publicado por: Rui Fernandes às maio 30, 2005 08:20 AM
O que eles querem sei eu.
Publicado por: alice às maio 30, 2005 08:23 AM
O texto desta constituição foi preparado por uma Convenção Europeia composta por 72 representantes eleitos (do total de 105 membros) por sufrágio universal directo. Era esta a sua composição: 30 representantes dos parlamentos nacionais dos Estados membros (2 por cada Estado membro); 26 representantes do parlamentos nacionais dos países candidatos à adesão (2 por cada candidato); 16 representantes membros do Parlamento europeu; 15 representantes dos chefes de Estado ou do governo dos Estados membros (1 por cada Estado membro); 13 representantes dos chefes de Estado ou do governo dos países candidatos à adesão (1 por cada país candidato); 2 representantes da Comissão Europeia. Ou seja, pela primeira vez não se trata de um texto saído de um comité de iluminados mas por uma assembleia política. Pela primeira vez uma constituição foi elaborada em total transparência de procedimentos já que foi divulgado o conjunto das deliberações e contribuições escritas que podia ser consultado no site da Convenção (que registou cerca de 700.000 visitas durante todo o período da Convenção) e onde as pessoas eram convidadas a participar no âmbito de um “fórum electrónico”
Publicado por: Guiomar Almeida às maio 30, 2005 08:33 AM
http://ue.eu.int/igcpdf/en/04/cg00/cg00086.en04.pdf
Publicado por: Nuno às maio 30, 2005 08:52 AM
Quando acuam as pessoas no sentido de uma escolha, na base da chantagem e demagogia políticas, a resposta mais óbvia será a repulsa, o ataque, a negação.
Afirmar que, a aceitação deste tratado constitucional, é a única forma de fazer avançar a integração europeia, dizendo que um “não” em referendo seria um desastre, sem explicar porque é que as instituições europeias e suas regras de funcionamento não podem ser alteradas sem a existência deste tratado, é levar as pessoas a desconfiar!
As pessoas já não acreditam em elixires milagrosos, e quando os anunciam a resposta natural é a desconfiança.
Publicado por: Carlos Pinto às maio 30, 2005 09:49 AM
Sintomático da atitude de muitos dos políticos que se batem pelo "Sim" - embora de forma mais disfarçada, sem a brutalidade aqui evidenciada - é o texto de Ana Gomes no bolg Causa Nossa. A não perder, pelo exemplo de falta de respeito pela democracia e de intolerância pelas opiniões alheias.
Publicado por: Ricardo Prata às maio 30, 2005 09:55 AM
A explicação do voto pela desconfiança, ainda que me pareça corresponder a uma realidade, esconde a verdadeira razão: desconhecimento e desinformação:
"Como não conheço, desconfio e por isso sou contra."
Um dos méritos da campanha pelo NÃO, é que é também uma campanha pela informação, pela decisão reflectida e esclarecida (o que, em minha opinão, se reconduz ao NÃO, obviamente).
Deve ainda ser uma campanha contra o desinteresse generalizado pela questão "Europa" que estamos habituados a ver como algo que pertence a outros, os que "estão lá".
E pode também ser um bom motivo para nós, os cidadãos comuns, passarmos a olhar a União Europeia com outros olhos. Com os olhos de quem também faz parte, pode e deve intervir e participar. A prazo, dará dividendos que não apenas os financeiros.
Publicado por: rm às maio 30, 2005 11:08 AM
Peco-lhe desculpa, caro JPP, mas esta' a ser demagogico. Entao acha que o processo democratico consistiria em parar os referendos depois de dois terem sido realizados? (Em Espanha resultou em sim; em Franca resultou em nao). Grande democracia seria essa... os resultados dos referendos de uns implicam a suspensao dos referendos dos outros. Que democracia bizarra nos propoe...
Alem do mais, nao o conhecia francofilo. Os franceses disseram nao, e o JPP ja' esta' a concluir que o TCE nao e' desejado por toda a Europa.
Publicado por: MP às maio 30, 2005 04:14 PM
não será o "não" a federação dos anti-liberais, dos nacionalistas reaccionários, das forças mais conservadoras?
A federação do medo do outro?
onde estará a diferença entre democracia e demagogia?
Publicado por: danielportela às maio 30, 2005 09:45 PM