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maio 31, 2005
NOS BLOGUES DE 31 DE MAIO
Não devia, pois não! , no Quartzo, Feldspato e Mica.
Várias notas no Blasfémias.
Publicado por JPP às maio 31, 2005 11:22 AM
Comentários
O entusiasmo que não há
Uma sondagem feita a empresários de vários países por este mundo fora sobre como viam seus parceiros norte-americanos, mostrou que na Europa o que mais se lhes invejava aos empresarios americanos era o seu entusiasmo. Eu creio que esta é uma diferença mais profunda que extravaza o meio dos negócios. Porque na Europa não há entusiasmo. E não há por consequência entusiasmo por parte dos europeus em relação a Europa.
A tentativa de parte da nossa esquerda adepta do Não ao referendo ao tratado-constituição-europeia, em transformar o seu não em um SIM mais grande que o próprio sim a que eles se opõem, muito me temo, não passa de outra tentativa vã de conquistar a quadratura de mais um círculo.
Transformar os votantes descontentes com o estado da economia francesa, os votantes dos populistas disponíveis (de esquerda, centro ou direita) em modernos e entusiasmados ultra-europeístas poderá eventualmente ser um problema de alucinação grave. Transformar este retrocesso em um avanço da utopia, um problema do foro psiquiátrico.
Não existe um sonho europeu da mesma forma que existe um sonho americano. Os europeus já não sonham. O esforço que nos levou até aqui na costrução europeia poderá muito bem ser o máximo que durante muito tempo os europeus sejam capazes de dar. Sem uma clara melhora da situação econômica europeia será dificil que os europeus voltem a sonhar com Europa.
Dirão que será mais dificíl a retoma econômica, e portanto a retoma de entusiasmo, sem uma Europa forte e unida politicamente, e eu concordarei. Mas a vida está cheia de paradoxos destes.
É curioso verificar que precisamente em Espanha, onde o crescimento não se viu afectado pela decadência econômica generalizada o sonho europeu não sofreu nenhum arranhão durante a campanha do referendo. E agora a questão: este crescimento econômico ocorreu em base a políticas socias de esquerda? É claro que não. Ocorreu isto sim depois de uma crise de desemprego enorme que serviu para flexibilizar a sociedade espanhola e para que ela se preparasse para a forte liberalização que se seguiu: contractos nenhuns ou precários, política rígida de redução de gastos públicos e controle do orçamento, etc.
Assim se os franceses querem uma constituição europeia cheia de garantias sociais e que sirva de base a uma retoma da economia europeia, e, consequentemente, francesa, contra o mercado global e os gigantes americanos, chineses, indianos, japoneses, etc, então, neste caso, os franceses o que querem é outra quadratura do círculo. A utopia que lhes resta.
Sei que esta constituição europeia era a única que podiamos almejar que ainda fosse minimamente útil. Aquela que eventualmente surja, com um conjunto minímo de principios para consumo global e alegria dos bloguistas-de-esquerda-lusos-europeistas-defensores-do-não será basicamente uma canção de ninar criancinhas para sonos sem sonhos. Que são criancinhas europeias.
(post publicado no leileteia.blogspot.com)
Publicado por: Rui Fernandes às maio 31, 2005 12:52 PM
Não está fácil.
Ler o tratado para uma constituição é só por si um tratado. Parece-me que o hábito de produzir directivas resvalou para este documento. Chato.
Nós cidadãos europeus estamos chatos. Uma constituição deve ser uma lei de princípios muito gerais que une cidadãos. Uma lei geral. Depois existirão pacotes legislativos que têm como princípio serem feitos para se mudar. A constituição não. 20 páginas, fáceis de ler por qualquer cidadão e que realmente nos una. A própria concepção de uma constituição consigna a união. Não deve ser polémica. Não pode ser chata.
O pior é que para chata, massuda e polémica, já temos uma. A nossa Portuguesa. Eu quero ser cidadão de uma constituição, com uma bandeira um hino e um presidente (leia-se o símbolo). Quero ler a constituição com prazer, rapidamente, e ter orgulho nela. Sentir que a ela pertenço. Sentir que faço parte daqueles todos, que sejam istas ou istos ou ismos ou ês ou acos, partilhamos os mesmos princípios de humanidade.
Não quero estar de acordo com este artigo, discordar daquele, rever-me neste, repugnar o outro. Quero chegar ao fim e dizer. Ah! que orgulho tenho em pertencer a estes.
Que grande confusão vai na cabeça dos eurocratas. Continuam a pensar que nós simples humanos somos estúpidos, não informados, incultos, enfim seres menores.Como estão enganados!
E sejamos claros na análise. Referendar esta constituição é referendar esta Europa, a dos eurocratas iluminados.
Dizer não a esta constituição, é dizer não a uma construção europeia que nos está a fugir da mão.
Dizer não, é mostrar que queremos a união.
Dizer não, é mostrar que não queremos polémica.
Dizer não, é mostrar que queremos manter a nossa cultura, partilhando os mesmos princípios com outros de culturas diferentes.
Dizer não é ser alfacinha, ribatejano, alentejano, tripeiro, e ao mesmo tempo partilhar os mesmos princípios com os eslavos, os vickings, os anglo saxões, catalães e outros latinos.
Não, esta constituição, não!
Publicado por: José Leite às maio 31, 2005 01:08 PM
Este link abre directamente o o Tratado
Publicado por: NS às maio 31, 2005 02:02 PM
Eduardo Pitta escreve no blogue Da Literatura sobre o referendo francês, "Les beaux esprits".
Publicado por: João Pestana às maio 31, 2005 08:53 PM