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maio 31, 2005

O MAL DA DISPLICÊNCIA


Se se faz o debate é porque se faz o debate, se não se faz o debate é porque não se faz o debate. Se se faz o debate, nunca é esclarecedor, falta sempre alguma coisa, nunca chegam os argumentos, tudo é mau e triste, todos são brutos e feios e porcos. Ninguém é um gentleman inglês, como nós somos, de manhã, ao espelho. Se se discute nunca é por gosto, ou dedicação a uma ideia ou causa, nunca é para esclarecer ou contraditar ou convencer, nunca é por interesse intelectual, é só para ganhar votos, para ter protagonismo, para servir obscuros interesses, por vaidade ou por ignorância presumida, para ajustar contas, ou qualquer sinistra agenda escondida. Ou se é xenófobo, ou racista, ou populista, ou reaccionário, ou revolucionário, ou torcionário, ou “bushista”, ou “lepenista”, ou fascista, ou comunista, ou partidário da “tripa” versus o “coração”, ou medroso ou ignorante. É-se sempre interessado, interesseiro. Sempre, é-se sempre incoerente em qualquer minudência verbal.

Por cima e ao lado, é que se está bem, nem com o sim, nem com o não, sempre à espera de alguém que nos esclareça definitivamente, de algum trabalho alheio que nos ilumine na preguiça, ou pior ainda, já com posição tomada, seja pelo partido, seja pelo grupo, seja pela tribo, seja pela confraria dos cumprimentos mútuos, mas, mantendo a reserva mental e a má fé necessária para castigar o vulgo, e o vulgo são todos aqueles que não são gentlemen ingleses como nós somos, e em particular, essa espécie ainda mais perigosa, daqueles que sabem o que é um gentleman inglês e sabem como nós estamos bem longe de o ser.

Publicado por JPP às maio 31, 2005 10:32 AM

Comentários

Concordo que existe alguma displicência. E porquê?!
Por cinismo? Por feitio algo típico do cidadão luso? Por reflexo de um cansaço com discussões estéreis?
Quem sabe?!

Por mim, será mais por causa da ignorância básica e da dificuldade na apreensão de conteúdos básicos da discussão.

Não é possível uma discussão profícua acerca da "Constituição", sem algumas noções sobre direito europeu e a maioria esmagadora dos portugueses, entre os quais se incluem muitos intelectuais e opinionistas de jornal, não domina estas matérias com saber suficiente para tornar proveitosa e agradável a discussão.

Por exemplo: tomemos a noção de "subsidiariedade" e perguntemos a quem quer que seja que defina o conceito, mesmo por aproximação. O resultado adivinha-se frustrante.
Daí se pode inferir tudo o resto.

Mesmo assim, água mole em pedra dura...e por isso o valor deste sítio e doutros é inquestionável.
Por mim, obrigado!

Publicado por: josé às maio 31, 2005 10:50 AM

Tem toda a razão.
O seguidismo e todos os ismos que têm sido quase impostos pelos média, estão a contribuir demasiado para uma sociedade em que o pensamento próprio vai morrendo.
Será que a liberdade de pensamento, talvez a mais querida característiac da democracia, preceisa de um fruto proibído, do tipo ditadura, para aguçar o engenho?
Admiro-o por ser um homem livre.
José Leite

Publicado por: José Leite às maio 31, 2005 10:54 AM

Os blogues também servem para desabafar...

Publicado por: Ipsis Verbis às maio 31, 2005 11:41 AM

Ainda não sei bem do que vimos falando..., ainda ninguém no-lo explicou de modo algum.
Tenho tentado, no pouco espaço de tempo que tenho, procurar um esquema simples que nos diga, de ambos (sim e não), as respectivas vantagens e desvantagens. Não o encontrei ainda.
Como sou animal de princípios, por princípio e, se mais não descobrir, votarei NÃO e, só, porque o sim teve apoios desleais como o do PR.
Democracia... uma ova!

Publicado por: Eu Analfabeto às maio 31, 2005 11:49 AM

Bons dias!
Simplesmente gostava que os políticos, jornalistas, etc, se dignassem a apresentar-nos uma lista simplificada dos Principios que estão previstos na proposta da Constituição. Já chega de tantas vozes a favor/contra sem que ninguém explique ao português comum do que é que afinal trata a Constituição.

Publicado por: Manuel às maio 31, 2005 12:14 PM

Vou votar "NÃO".
Porque depois de ler a "Constituição", constatei que fica muito aquém do que esperava dela. Os estados ainda ficam com demasiadas àreas de soberania e assim sendo, as desigualdades e as guerras de interesses vão continuar. Votarei sim a uma constituição que estabeleça o princípio dos Estados Unidos da Europa, com a única ressalva de cada Estado poder continuar a usar a sua língua.

Publicado por: JMT às maio 31, 2005 12:56 PM

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