« O MELHOR DOS COMENTÁRIOS DE 31 DE MAIO | Entrada | TEXTO E CONTEXTO DA CONSTITUIÇÃO NO DEBATE DO REFERENDO »
maio 31, 2005
O "SIM" DE MANUEL VILLAVERDE CABRAL
A minha posição é a de um "federalista de esquerda" (parece que também há de direita, mas não é o meu caso). Portanto, tudo o que concorre para reforçar a integração política da União Europeia, isto é, tudo o que concorre, mesmo que só gradual e parcialmente, para o federalismo europeu (onde Portugal poderia ser uma "região" activa, em vez de ser um Estado passivo, à espera dos fundos comunitários...), sou a favor. O Tratado em si é muito mau, mas mesmo assim é um passo no bom sentido.
É mau no plano social, sobretudo, mas não só. Contudo, a partir do momento em que houvesse, nem que seja simbolicamente, uma constituição europeia, isso permitiria lutar por uma constituição melhor. Sem constituição, nada posso fazer à escala europeia, que é a única escala real onde a esquerda hoje poderia operar (a cegueira da extrema-esquerda a este respeito só não surpreende porque é recorrente!).
Mesmo no plano social, a regressão dos direitos sociais, especialmente para os portugueses, é apenas aparente, pois em breve teremos menos direitos sociais em Portugal do que o mínimo garantido pelo Tratado, que infelizmente morreu ontem de morte macaca. Por outras palavras, como europeu vivendo em Portugal, preferiria o mínimo europeu do que os direitos garantidos por um Estado como o nosso, que nos rouba no dia seguinte a ter ganho as eleições!
Sendo péssima, a Constituição era boa de mais, pois tinha o mérito fundamental de existir, mas afinal isso não irá acontecer e, na minha opinião, a União Europeia pode ter iniciado o caminho de regresso ao Mercado Comum, que é aquilo que os britânicos e os americanos sempre quiseram que a Europa fosse...
Publicado por JPP às maio 31, 2005 03:48 PM
Comentários
Ó Manuel Villaverde Cabral
Gosto da sua honestidade, mas não posso estar mais em desacordo.
Também posso dizer que sou federalista, mas de direita.
Também posso dizer que me agrada o anti-federalismo. Só não gosto das meias tintas em que a Europa se está a tornar.
Mas é na resposta ao seu escrito que me quero estender. Sabe, entendo que o seu sim de esquerda, deve ser entendido como um não. Porque tal como em França, não é só a esquerda e a direita que estão divididas. É a eaquerda contra a esquerda, a direita contra a direita, os portugueses contra os franceses, os eslavos contra os saxões, etc, etc,.
Aquilo que eu gostaria de ter era uma constituição europeia que nos unisse. Porque os seus valores primários são os mesmos que os meus.
O que nos separa basicamente é o conceito de compromisso do estado perante a sociedade. Você quer mais estado, eu quero menos estado. Este é um tema político, legislativo conjuntural, onde ambos lutaremos por ideias distintas.
Uma constituição deve ser um acto legislativo estrutural, e como tal só deve abranger aquilo que nos une, a mim e a si. Como tal também deve servir para unir todos os europeus, nas suas diferenças culturais,nos seus princípios humanisticos simples.
Dizer sim a uma constituição conjuntural, esperando que amanhã ela possa ser alterada ao sabor dos ventos e das vontades, não será um cheque demasiado branco para todos nós?
Publicado por: José Leite às maio 31, 2005 04:28 PM
Há muito tempo que não lia argumento tão retorcido. Na lógica do sr. Cabral, institui-se a prisão para se poder lutar contra ela. Se não tivermos prisão, como vamos construir um mundo sem ela? Não havendo constituição, como ter uma melhor? Bem, e que tal construí-la simplesmente?
RA
Publicado por: O Sìtio do Também Não às maio 31, 2005 05:31 PM
O pior desta Europa é não o ser. Não faz sentido uma Europa em que as despesas da saúde e da segurança social não sejam geridas pela União, permitindo que os pobres tenham que sustentar os pobres e que os ricos sustentem os ricos. Já imaginaram o que seria se, a nivel nacional, os transmontanos tivessem de financiar a sua saúde e a sua segurança social? Não faz sentido uma Europa em que o orçamento europeu esteja limitado a 1,27% do PIB conjunto (alguns querem apenas 1%). Esta é a Europa da desigualdade, a Europa que perpetua a divisão entre ricos e pobres. Votar "Não" é abrir a porta a uma discussão que permita a construção de uma Europa solidária, coerente, justa e eficaz.
Publicado por: Nuno Cardoso da Silva às junho 1, 2005 09:02 AM