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junho 11, 2005
A MÁQUINA QUE NOS QUER IMPOR O “SIM”
Publicado na Sábado:
A decisão que pode por si só inquinar o valor dos resultados do referendo português, tornando-o inútil ou politicamente malsão, é, logo à cabeça, a escolha da simultaneidade com as eleições autárquicas. É interessante ver como o consenso de mamute que existe em Portugal à volta do “sim” elimina sequer a necessidade de justificar tal escolha. Primeiro-ministro, Presidente da República, PS, PSD e CDS, ninguém se dá ao trabalho de nos explicar porque razão é que o referendo tem que ser feito imperiosamente junto com as eleições menos apropriadas para o efeito em vez de acompanhar as presidenciais, muito mais susceptíveis de favorecer o debate europeu. Claro que eu sei porque é: é um truque para ter uma percentagem grande de votantes e para não haver debate.
Assim consegue-se com este truque disfarçar a indiferença geral face à Constituição e por extensão às questões europeias e evitar a vergonha de uma grande abstenção. Ao mesmo tempo está-se mesmo a ver o grande debate sobre a Constituição que vai existir entre as peripécias de campanha de Isaltino, Valentim, Carrilho, Carmona, Rio, Assis, e mil e um casos autárquicos que vão ser fervorosamente o centro das atenções.
Esta escolha de data é filha directa da pergunta absurda e manipuladora que os mesmos responsáveis se propunham fazer aos portugueses antes de ser chumbada no Tribunal Constitucional. É esta falta de respeito pela democracia que deslegitima hoje a Europa. O referendo português, a ser feito assim, como está preparado e montado, só reforça essa perda de legitimidade democrática, seja qual for o seu resultado.
Publicado por JPP às junho 11, 2005 10:46 AM
Comentários
Tenho dificuldade em perceber que o Sr(s) Presidente da R.,P.M. e dirigentes do pp, psd e ps; achem que o ruido da campanha autarquica, seja o mais esclarecedor para que decorra o debate em torno do PTE.
Ou será que é para aproveitar a simultâneidade e apresentar o Sr. Isaltino como autarca modelo para a Europa que se pretende?
Publicado por: tomás nunes às junho 11, 2005 01:51 PM
E por que não pensar na eleição ao contrário ? Por que não pensar que, com um Referendo sobre o Tratado Constitucional, as Eleiçoes Autárquicas veêm elevado o seu estatuto e vai ser possível discutir algo de facto importante e relevante sem serem as tricas pessoais a que alude (com justiça, diga-se de passagem) ?
Ainda não percebi o que tem de mal fazer coincidir as duas eleições !!, até se poupa dinheiro e tempo aos cidadãos !!
Por outro lado, é sempre possível ter a medida exacta da participação em cada uma das eleições, basta para isso que à abstenção geral sejam somadas a não votação (visto que é possível) numa das duas eleições ! Terão de haver dois cadernos eleitorais que deverão ser descarregados em simultâneo se o eleitor assim o desejar ou apenas um se o eleitor disser que só vota numa das eleições !!!
Não percebo esse argumento de induzir o aumento da participação no Referendo através da votação nas Autárquicas !!!, até porque tal como sugiro, o eleitor pode optar votar apenas no Referendo e não o fazer nas Autárquicas e aí teríamos o contrário do que andam a propalar, haveria uma maior votação no Referendo !!
Mas afinal a democracia deve exercer-se ou não? Se sim, quanto mais depressa melhor ! Ou será que quem é a favor do 'não' está com medo de perder? Acha que as pessoas são estúpidas e não sabem o que querem ? Se assim é, penso que os senhores políticos e comentadores estão a ir pelo mau caminho !
Lembro-me que em 1987 houve duas eleições simultâneas (Legislativas e Parlamento Europeu), trataram-se de duas campanhas distintas com argumentários e candidatos diferentes e, ao contrário daquilo que temem no presente, os eleitores colocaram os seus votos de modo diferente dando vitória a opções políticas diferentes com taxas de votação e maiorias diferentes ! Lembram-se ?!?!
Meus caros, o povo era o mesmo e, segundo os analistas e estudiosos sociais, estava bem menos preparado politicamente e era mais analfabeto que actualmente ! Assim sendo, estão com medo de quê ?
Publicado por: José António Martins às junho 12, 2005 12:20 AM
Qual é a necessidade premente em nos imporem uma constituição Europeia sem antes porém nos esclarecerem a todos nós portugueses através de um debate sério, profundo e esclarecedor que faça com que os portugueses saibam naquilo que vão votar. há uma tendência em Portugal em fugir aos debates e apenas impera a vontade de meia dúzia de iluminados da política que dominam totalmente a vontade dos portugueses. Já não há gente capaz de ponto por ponto nos explicarem quais são as implicações do tal documento sobre a constituição portuguesa?
Publicado por: soslayo às junho 13, 2005 09:28 AM