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junho 05, 2005
António Barreto - UMA SURRA INESQUECÍVEL
António Barreto, A bicicleta parou..., no Público, 5/5/2005 (sem ligação).
Os resultados dos referendos francês e holandês constituem simplesmente uma das melhores notícias que os povos europeus tiveram nas últimas décadas. O essencial daquilo que poderá ser designado como o "projecto europeu" não foi necessariamente posto em causa, mas as veleidades federalistas levaram uma surra inesquecível. A ideia de que o artificialismo jurídico, legislativo e político é capaz e suficiente para mudar as sociedades, transformar as mentalidades e dar novo rumo às relações entre classes, nações e gerações, conheceu o maior revés que se pode imaginar. Ainda por cima, vindo da França e da Holanda! O caso francês, aliás, merece ficar na história. Com efeito, foi uma estrondosa derrota aquela que sofreu, por métodos limpos e democráticos, a mais vasta coligação política jamais feita. Os quarenta maiores partidos europeus e nacionais de esquerda e de direita, duas dúzias de chefes de Estado e de Primeiros Ministros, a Igreja Católica, uma massa interminável de jornais e televisões, um sem número de intelectuais e artistas e centenas de agências de propaganda juntaram os seus esforços para obter uma resposta afirmativa ao referendo. De nada valeu essa colossal e inédita convergência de forças. O não foi rotundo e sem apelo. Agora, é razoável ter esperança!
Publicado por JPP às junho 5, 2005 09:06 AM
Comentários
A ler, concordando-se ou não, "Os folhetos do companheiro Vasco", no Almocreve das Petas.
Publicado por: IP às junho 5, 2005 12:17 PM
E a Suíça terá dito "sim" ao espaço Shengen. Apesar dos alarmistas e detractores, a Europa como espaço político-económico, existe. Salvo para Blair que anunciou já a opção por Africa, rejeitando a Europa(como é tradição no "British Empire"). Como para de Gaulle, a construção europeia terá de ser feita sem o Reino Unido(enquanto existir).
Publicado por: Atl às junho 5, 2005 02:39 PM
Confio mais na ingenuidade dos intelectuais do que na "razão" dos tecnocratas. Contudo, defender o NÃO com base em formalismos e convicções é bastante pouco. Jorge Miranda refugia-se em aspectos formais da Constituição; Jerónimo de Sousa adivinha um processo neoliberal e militarista; O Sítio do Não fala da jactância de alguns líderes europeus. Agora comenta-se a surra.
Não é possível demonstrar o teorema do NÃO?
Publicado por: Reguengos de Carvalho às junho 5, 2005 04:40 PM
Pois... "[S]em o Reino Unido(enquanto existir)" e contra os EUA!? Palavras para quê!
Publicado por: CC às junho 5, 2005 07:36 PM
esperança em quê?
Publicado por: XaNaX_C_CerVeJa às junho 5, 2005 10:35 PM
Como é óbvio, entre a Europa e os EUA existe uma larga confluência de interesses. Não estamos já numa era em que se está contra este ou aquele país (salvo em casos pontuais). Mas, e históricamente, o RU sempre se opôs a qq simulacro de "união" europeia. Para a sua própria sobrevivência como país relevante.
Publicado por: Atl às junho 5, 2005 11:01 PM
Contráriamente a muitos leitores foi com grande desapontamento que li o artigo de António Barreto. É que independentemente dos defeitos do tratado (a começar pelo próprio epíteto de "constituição") não é possível separar os resultados da votação do discurso que animou os votantes. Este fui um discurso que se alimentou de equívocos como a "rejeição do modelo económico liberal" de "raíz anglo-saxónica", da defesa da "grandeza da França" e das virtudes do seu modelo social (com mais de 10% de desemprego) contra a concorrência dos "canalizadores polacos". Neste contexto tenho dificuldade em aceitar que "o resultado do referendo francês ... constitua simplesmente uma das melhores notícias que os povos europeus tiveram nas últimas décadas"
Publicado por: Carlos às junho 6, 2005 10:16 PM
Sugiro que escutem a reportagem da BBC no Languedoc francês sobre o estado de espírito que animou os franceses durante o recente referendo
http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/crossing_continents/4600343.stm
Publicado por: Carlos às junho 9, 2005 09:48 PM