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junho 12, 2005

António Barreto - OS ARGUMENTOS PATÉTICOS

No Público, de 12/6/2005:

VERIFICADOS OS "NÃO", os argumentos dos defensores da Constituição, em toda a Europa, mas também em Portugal, foram patéticos. Em poucas palavras, fomos informados de que os que votaram ou venham a votar "sim" são democratas, europeus, coerentes, leram o tratado, decidiram em consciência a favor do conteúdo da Constituição, sabem o que querem e têm um programa. Pelo seu lado, os que votaram ou votarão "não" são anti-europeus, nacionalistas, soberanistas (?), não leram o tratado, votaram por razões menores e internas, são extremistas de vários bordos, não sabem o que querem e não têm um programa. Além disso, os que votaram "sim" formam uma coligação consciente e racional, são tolerantes, defendem o modelo social europeu e querem competir com os americanos. Os que votaram "não" constituem uma salada russa de neoliberais, fascistas e comunistas ressabiados, são tendencialmente racistas, agrupam facções contraditórias, querem a destruição da União e do euro e lutam contra o modelo social europeu. Nem vale a pena analisar os argumentos, um a um. Quem assim fala, mostra que nada percebeu. Quem assim pensa, teve o que merecia.

Publicado por JPP às junho 12, 2005 09:58 AM

Comentários

António Barreto,
Insultuoso, menor e injusto o seu comentário.
Assim é fácil defender o "não".

Publicado por: Iabel Moreira às junho 12, 2005 11:25 AM

Sejamos realistas! Independentemente das pessoas de bem que defendam uma ou outra posição o que é certo é que o retrato dos apoiantes do não foi muitas vezes efectivamente próximo daquele citado por António Barreto.
Trata-se mais uma vez de evidenciar o velho problema de o "bicho humano" passar mais tempo a discutir o Bem e o Mal presente ou não nos adversários do que a agir pragmaticamente e com vontade de informar o seu congénere. Haja esperança...

Publicado por: MSoareses às junho 12, 2005 12:22 PM

O comentário de A. Barreto tem semelhanças com o do M. Onfray aqui já exposto. Se não fosse este blog e a vontade de esclarecimento primeiro avançada por P. Pereira, estavamos todos apatetadamente à procura de informação.Falo por mim e por aqueles como eu com acessos restritos...

Publicado por: carolina vaz às junho 12, 2005 01:53 PM

Brilhante, especialmente a lição contida na última frase, a da justiça final.

Publicado por: tina às junho 12, 2005 05:15 PM

Brilhante. Parabéns A. Barreto

Publicado por: O Raio às junho 12, 2005 05:51 PM

De início era sensível ao argumento da origem radical de parte do Não, mas começo a interrogar-me se faz algum sentido questionar a origem do Não de forma a legitimá-lo.

Para simplificar, consideremos a hipótese de um próximo referendo sobre o aborto*. Faz algum sentido questionar a maior ou menor legitimidade do voto dos militantes comunistas? Parece-me que não! No entanto, no XVII Congresso do PCP, assistiu-se ao aplauso generalizado entre os comunistas a estas palavras de Alvaro Cunhal: "Viva o marxismo-leninismo!" E conhecemos bem os saneamentos feitos ao longo dos anos.

Como é? Quando chegar a hora de contar os votos favoráveis à alteração da lei do aborto descontamos os votos das pessoas que militam em partidos com défice democrático?
Parece evidente que não? Não é?


(*Sei que estou fora do tema do blog mas já agora... sendo favorável há alteração da actual lei do aborto, não me parece que se possa honestamente propor - como Jorge Coelho fez na Quadratura do Circulo - a alteração via Parlamentar. Feita uma consulta referendária creio haver obrigação com os portugueses de a repetir sob pena destes desacreditarem em definitivo nos referendos e nos políticos.)

Publicado por: IP às junho 12, 2005 06:16 PM

IP,

Está no seu direito de ser "favorável há alteração da actual lei do aborto", mas, ao menos, aprenda a distinguir o há do verbo haver, da contração da preposiçao "a" com o artigo definido "a".
Talvez assim compreenda melhor certas coisas ...

Publicado por: Isabel Coutinho às junho 12, 2005 08:58 PM

De facto, é a ironia.
Mas talvez seja também, a desvalorização de uma atitude afirmativa ou negativa em relação à aprovação do TCE.
Talvez seja esse o campo da nossa inquietação....a negação do NÃO e do SIM na procura de uma outra forma de sermos....nesta cosmogonia lusa, isenta de pressupostos e de conclusões e apenas agarrada ao sentido de viver.
Talvez sintamos já outro vento.....um derivar em face das realidades que se apresentam incontornáveis...pesadas...imobilistas....na procura de uma outra forma que melhor descanse as nossas inquietações....nascidas num olhar sentido ...sobre o que vem.
O NÃO francês deixa-nos mais perto de nós...como se fossemos uma caixa de ressonância de um desagrado que em nós já nos não ilude.
Apenas um retirar do caminho quando se adivinham outros horizontes... .
Nem NÃO ...nem SIM.....creio que os portugueses começam a rir-se da patranha que dizia que Damião de Góis articulava com o Erasmo de Roterdão...só para acreditarmos que sempre fomos muito européus.
Nós que sempre lhes ensinámos o caminho sagrado e quase inútil de Sísifo ....mas que por isso mesmo é mais humano e imprevisível...como a eternidade.
Existem outros caminhos....têm de existir outras possibilidades para nós...a Europa é apenas um mito ....e está em decadência como tal.

cumps

Publicado por: jotabil às junho 12, 2005 09:07 PM

Isabel,

Tem toda a razão. Foi um lapso grave! Como é evidente queria dizer "sendo favorável à alteração da actual lei do aborto..."

Publicado por: IP às junho 12, 2005 10:06 PM

Fez luz sobre um ponto importante: a tentativa de diabolizar as posições do Não. A campanha do Sim assumiu um tom irracional, maniqueísta e repleto de chavões usados como arma de arremesso contra o adversário - que, em seguida, é acusado de mistificação...

Impõem-se uma voz clara e intelectualmente honesta, que desmonte as manipulações de que o debate está a ser vítima. Alguém assim ajuda a mater a sanidade mental. E impede que uma mentira dita mil vezes seja promovida... a verdade.

Publicado por: wasp às junho 12, 2005 10:08 PM

António Barreto decidiu este Domingo pôr a sociologia eleitoral na gaveta. Fez bem. Doutra forma, não poderia escamotear o facto de que a distribuição de votos nos referendos francês e holandês seguem precisamente o padrão que ele aqui transforma numa caricatura.
Será que o TCE poderia ser muito melhor e nos deve merecer algumas reservas? Sim, com certeza que sim. Agora, será que é meramente acidental que se tenha formado uma imensa frente de reacção ao "sim" unindo os extremos do espectro político num maciço voto de protesto? Não, certamente que não. E é justamente as razões por detrás deste fenómeno que posições como as defendidas neste artigo por António Barreto não ajudam a perceber.

Publicado por: Filipe Carreira da Silva às junho 13, 2005 12:26 AM

Segundo WASP, "A campanha do Sim assumiu um tom irracional, maniqueísta e repleto de chavões usados como arma de arremesso contra o adversário - que, em seguida, é acusado de mistificação...". Pois é, mas foi a campanha do não que disse, entre outras pérolas, que a Constituição poderia pôr em causa a despenalização do aborto, trazer de volta a pena de morte, destruir o sistema laico do ensino público, proibir o divórcio, destruir os direitos sociais dos trabalhadores,diminuir os direitos dos cidadãos, destruir as nossas identidades nacionais, criar um directório de 4 grandes Estados, militarizar a europa e obrigar os nossos países a intervir em acções como a do Iraque, diminuir a nossa protecção ambiental, etc, etc, etc (tenho uma grande colecção se quiser). COmo classifia WASP este tipo de argumentos? Quem é mistificador no fim de contas?

Publicado por: VicentedoCarmo às junho 14, 2005 05:43 PM

Gostava de saber o que tem de mal ser soberanista?
Penso que é possível ter um projecto europeu sem nos tornar-mos uma ferderação de regiões.

Publicado por: Braveman às junho 15, 2005 05:42 PM

Eu lembro-me sempre da trilogia de Kieslowski quando sonho com a unificação da Europa - tudo começa de dentro para fora, né?
Liberdade, fraternidade, and so on...;)

Publicado por: circe às julho 10, 2005 01:20 PM

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