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junho 05, 2005

NOS BLOGUES DE 5 DE JUNHO

Os folhetos do companheiro Vasco no Almocreve das Petas.

Publicado por JPP às junho 5, 2005 12:30 PM

Comentários

Obrigado, holandeses
Para qualquer euro-fanático ou qualquer “polícia de costumes” que vigie o cumprimento da ortodoxia (pseudo-)europeista, o título deste artigo logo assusta. Revirando os olhos horrorizados, pensarão “aqui está mais um euro-céptico”, como se questionar seja o que for no “processo europeu” seja, automaticamente, uma espécie de heresia a punir, um pecado mortal que viole o 11º Mandamento, uma peste perigosíssima, uma posição imoral. Na verdade, esse extremismo pedante, fanático, impositivo e inquisitorial é um dos grandes obstáculos a uma genuína e harmoniosa construção europeia.
Na realidade, não sou um euro-céptico. Acredito sinceramente que em muitos domínios (não todos) podemos criar economias de escala e sinergias que poderão ser úteis a todos os europeus. Estou disponível para contribuir para esse esforço colectivo mas o que afirmo é que aqueles extremistas, que se consideram os “bons europeus”, são péssimos europeus. Porque a Europa em que acredito é aquela que é construida pelos cidadãos, não aquela que é erigida (deliberadamente) nas costas dos cidadãos por cliques de políticos que escondem dados, disfarçam interesses e estranhíssimas estratégias de fundo e manipulam para aquilo que (eles) entendem divinamente ser o melhor para os cidadãos europeus, essa sub-espécie político-social que aparentemente consideram ser tão ignorante e pobre de espírito que não sabe o que quer e tem que ter alguém (eles) que tutele o seu destino. Salazar pensava assim.
Tenho evitado comentar o processo constitucional europeu porque tenciono fazê-lo apenas mais tarde e noutro âmbito. Mas não posso deixar de, neste momento, tecer alguns comentários muito pontuais. Não escondo, desde já, que irei votar “Não” no presumível referendo. Eu que, realmente, acredito na Europa.
Portugal é um país de gente de bons costumes que tem o desagradável costume de se deixar manipular e orientar por políticos e partidos. Quando o partido da simpatia de cada um decide a sua “orientação de voto”, milhões de portugueses obedientemente a seguem. É pena, porque este povo se demite da sua capacidade cívica, da sua dignidade e da sua personalidade. Outros povos são menos manipuláveis e não tremem perante a possibilidade de cometer o perigoso “crime” de desobedecer a um qualquer grupo de dirigentes partidários. Pensam por si. Os franceses fizeram-no, embora por motivos que só parcialmente subscrevo. Os holandeses deram uma lição de civismo, de maturidade e de personalidade. A Constituição europeia (esta, pelo menos) está morta. Agradeço aos holandeses por isso. Gostaria muito mais de poder fazê-lo perante os portugueses.
Respeito imenso todos aqueles que, em boa fé, com racionalidade, com seriedade e sem fanatismos, concordam com essa Constituição ou dela discordam. Poderíamos todos, sem manipulações, ter discutido e amadurecido esta questão. Com tempo, sem precipitações. Mas alguns, como sempre (veja-se Maastricht) supõem que têm que decidir por nós, escondendo, precipitando tudo sem dar tempo a discussão ou reflexão sérias, colocando repetidamente os europeus perante factos consumados sem que possam reagir. Chega. Agir-se assim é a maior afronta aos valores em que a Europa assenta.
Um ex-primeiro ministro diz que a Europa tem que reflectir. Mas todo o tom daquilo que diz parece ser uma crítica ao cidadãos que votaram “Não”. Refere que é óbvio que existe um fosso entre os cidadãos e a Europa, como se fosse também uma crítica aos cidadãos que cometeram um “erro” de votar negativamente. Mas parece incapaz de reconhecer que este divórcio se deve à cegueira dirigista e literalmente anti-democrática com que alguns tentaram e tentam manipular os povos europeus. É impressionante o autismo de alguma classe política que se julga o “bom europeu” mas que é exactamente o oposto.
Este processo constitucional está errado desde a base. A comissão de cerca de 100 indivíduos que a elaborou foi quase exclusivamente composta “a dedo” por quem partilha aquele conceito “correcto” do processo europeu. Existe uma discriminação política contra quem tenha o arrojo de questionar esta ortodoxia. O primeiro-ministro luxemburguês, que neste momento assume a presidência rotativa da União Europeia, não hesita em considerar que a França e a Holanda devem repetir os seus referendos para que a população possa vir a dar “a resposta certa”. Por outras palavras, existe, previamente, uma “resposta certa” e é uma aberração que cidadãos pensem de outro modo, pelo que devem votar e voltar a votar até que escolham da forma que “alguém” entende a priori “adequado” e “certo”. É esta a Europa que alguns querem construir com esta Constituição?
O clima de coacção psicológica é generalizado. Os políticos do “sistema”, mesmo os que ocupam funções superiores que os deveriam colocar acima desta opção, criticam abertamente quem pensa votar negativamente nestes referendos. A Comissão Europeia condicionou o seu trabalho nos meses recentes, inclusive em dossiers muito importantes, a critérios de oportunidade e de conveniência, no sentido de evitar tudo o que prejudicasse a campanha europeia do “Sim”. Não me parece sério nem transparente. Não me parece que assim sejam os “bons europeus”.
A própria terminologia “bom europeu”, com que alguns tentam condicionar psicologicamente as centenas de milhões de europeus, é inadmissível numa sociedade democrática. Ninguém gosta de ser implictamente rotulado de “mau europeu” e esse efeito de coacção subliminar é inaceitável, para não dizer muito pior.
Mais tarde comentarei publicamente o processo constitucional, nos planos político e técnico. Mas desejo desde já salientar que considero que este projecto de constituição integra pontos errados e mesmo perigosos mas também inclui outros muitíssimo importantes, que seria insensato não aproveitar. Perante o extremismo dos que nos tentam impor a “sua” Europa, saibamos agora dar a lição cívica de, com racionalidade, com inteligência estratégica, com serenidade e transparência, construir uma nova Europa e um novo quadro de integração que nos una e valorize. Os radicalismos do Sim e do Não são igualmente insensatos.
Os holandeses encontram-se sob o fogo intolerante dos que insistem em decidir o nosso futuro nas nossas costas. Tiveram a coragem de o fazer, num país em cujo parlamento 85% dos deputados defendeu vigorosamente o “Sim”. Os holandeses não tiveram medo de pensar por si. E essa postura é, afinal, uma base central da democracia e da civilização europeia mais genuína.
Pela mão dos holandeses, esta foi uma lição de Europeismo.

Pedro Jordão

Diário de Coimbra


Publicado por: Vitor Manuel às junho 5, 2005 12:49 PM

Caro JPP, não quer aderir ao movimento de blogues pelo Não?

http://bloguespelonao.blogspot.com

Publicado por: VR às junho 5, 2005 02:24 PM

Apesar de juridicamente este tratado constitucional estar morto porque os próprios estatutos exigem que todos os países o ratifiquem, na realidade não sei se assim o será, porque como sempre esta instituição a que agora chamamos União Europeia dá o dito por não dito e arranja soluções que não respeitam a vontade expressa ou que fazem essa vontade parecer outra coisa.
O que se passou, é que a França decidiu que a ratificação seria por meio de referendo, como no referendo venceu o não, logo não deveria ratificar o tratado. Na Holanda, apesar do carácter consultativo do referendo, como houve grande participação o resultado também tem de ser levado em conta.
Mas Durão Barroso e o próprio Chirac já vieram defender a continuação do processo e para mais sem revisões, comno se nada se tivesse passado.
Neste momento não está em causa apenas a rejeição desta constituição mas sim de qualquer constituição para a UE.
Os senhores eurocratas ficam alarmados perante esta possibilidade mas têm que compreender duma vez que a UE não é um país, por isso necessita de tratados e acordos internacionais, não de uma constituição e por outro lado que este não foi um não a esta construção europeia.
Quem não o viu ou não quer compreender por muito erudito e iluminado que seja não passa de um autista político que só vê a realidade que julga ser correcta, que é a sua e a duma elite de seguidistas que não questionam o mínimo que seja desta construção da UE. Sendo assim não são tão iluminados como possa parecer, na realidade não passam de membros dum novo "politburo" que são os guardiões da utopia, só que esta já não é a de ontem, essa era o comunismo, esta é o pretenso "europeismo", que na verdade deve ser muito mais do que esta burocracia.
Há a acrescentar que todos estes eurocratas e governantes insistem que o processo não pode parar e que o não além de ser temporário é específico. Não vêem que é um não ao que de mal foi feito em nome da UE e não a futuros projectos, pois se assim fosse o peso do não ainda seria maior.Mas para eles é temporário e pode ser alterado com o tempo,já se fosse o sim a ter ganho nunca o poriam em causa e os povos nunca mais teriam oportunidade de se exprimirem, pois em dada altura tinham votado sim e assim tudo o que se viesse a fazer ainda que nos conduzisse à catástrofe e necessitasse de ser revisto,não o seria pois o sim de 2005 tudo justificaria.
Tenham cuidado "senhores" eurocratas pois quando a voz do povo não é respeitada o povo sabe fazer-se ouvir. Olhem para outros exemplos do passado recente...

Publicado por: António Pinho às junho 5, 2005 08:05 PM

Sondagem Afixe sobre a questão da Constituição Europeia

http://www.createforum.com/phpbb/viewforum.php?f=5&mforum=monty"

afixe.net

Publicado por: Monty às junho 5, 2005 09:38 PM

Bom dia! O forum do apertaocinto está em funcionamento!
o endereço é http://forumapertaocinto.pt.vu/
Agradecemos a sua divulgação e participação !
Apelamos a todos para dinamizar a interactividade só assim é possível manter esta bandeira bem erguida e ao sabor do vento!!!
Em tempos alguém fez as trovas do tempo que passa, espero que esse alguém se sinta mobilizado neste projecto!
Hove nao é o vento que passa que nos traz noticias do meu país, mas sim uma bandeira Portuguesa agitada pelo vento que passa!!!!
Tal como as caravelas portuguesas, que espalharam a nossa semente no mundo!!!!
Tenhamos Orgulho em Portugal!!!!
Está na hora da mudança!!!
Portugal não pode parar!!!
Obrigado a todos(as) pela colaboração!

reencaminhem este email por favor!!!!

Publicado por: http://apertaocinto.blogs.sapo.pt/ às junho 5, 2005 09:49 PM

Boas notícias.
Amanhã haverá novo debate sobre a Europa, agora na RTP 1, nos Prós e Contras. Participam José Pacheco Pereira, Jorge Miranda, Ribeiro e Castro e Vital Moreira.

(numa perspectiva um tanto interesseira agrada-me a presença sensata de Ribeiro e Castro pelo Sim; desta forma o Não parece sair reforçado.)

Publicado por: IP às junho 5, 2005 10:04 PM

Sou a favor do NÃO à Constituição Europeia por motivos diferentes ao do NÃO francês e ao do NÃO holandês.
O meu NÃO, tem a ver com a timidez das medidas preconizadas pela Constituição Europeia apresentada, pois, o documento apenas enquadra alguns dos muitos problemas que se colocam à Europa, deixando de fora questões verdadeiramente importantes, como por exemplo, a incapacidade de governos nacionais - de que os portugueses dos últimos anos são exemplo - encontrarem soluções para melhorarem as condições de vida do cidadão comum.
Com paninhos quentes - tentando agradar a todos - não vamos a lado nenhum, ou melhor, conduziremos toda a Europas para onde tem ido alguns Países, incluído o nosso: para sucessivos déficits orçamentais, deficientes políticas de saúde, um sistema educativo produtor de diplomas reconhecendo o pouco ou nada que se fica a saber, uma justiça que deixa muito a desejar, já para não falar nos compadrios e na corrupção endémica, para além da descabida concessão de susídios por tudo e por nada (i.e.: seca, excesso de chuva, abate e construção de barcos de pesca, mudanças de cultivo, etc.).
No fundo, este NÂO, significa que quero uma Europa que imponha a Portugal uma existência com outra qualidade, que os governantes portugueses, dos diferentes quadrantes, não tem sido capazes de alcançar.
Precisamos de um governo central e um parlamento Europeu fortes, compostos por membros de reconhecida competência, o suficiente para se produzir a verdadeira coesão europeia, através do desenvolvimento sustentado e a erradicação das assimetrias regionais.
Já provámos por essa Europa fora - e não só - que não nos falta capacidade de trabalho, mas, quanto a liderança, estamos conversados.
Continuarmos a insistir na classe política portuguesa é como chover no molhado.
Daí o meu NÃO à Constituição Europeia, porque vai permitir a continuação das meias tintas que são sempre demagógicas: Por exemplo, reduzir os privilégios dos políticos, em nada de significativo resulta para a resolução dos nossos problemas.
O que resulta são medidas de fundo: reduzam o número de cargos políticos, eliminando metade dos parlanetares, eliminem concelhos e freguesias, reintroduzindo as antigas Províncias, redistribuam os funcionários, retirando-os de onde não fazem falta para onde se vêm filas de utentes.
Reduzir a comparticipação por parte do Estado dos medicamentos para doenças crónicas, como por exemplo a diabetes, não mexe com a Despesas do Estado, nem depois da vírgula.
Mais valia acabarem com este tipo de doentes, não lhes fornecendo a medicação, reduzindõ-lhes assim o tempo de vida e os consequentes subsídios e reformas por doença, poupando-se na formação de especialistas e permitindo até o seu desvio para onde é necessário mais gente a prescrever placebo.
Também digo NÂO a esta Constituição Europeia, porque quero uma Europa verdadeiramente laica;sem crucifixos nas Escolas, mas também sem o descanço à sexta, sábado e domingo e, muito menos, feriados religiosos.

Publicado por: NSS às junho 5, 2005 11:31 PM

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