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junho 06, 2005
O "É SIM" JÁ EXISTE
Aqui o "sítio do sim" de Marcelo Rebelo de Sousa.
É sim nasce hoje para permitir colocar ao alcance dos internautas documentação importante sobre a Europa, a sua integração e, em especial, o Tratado da Constituição Europeia.
Publicado por JPP às junho 6, 2005 10:11 AM
Comentários
O problema, é que a UE e a Classe Politica se esqueceram de que a População Europeia está farta que uns Senhores instalados nos seus cadeiros europeus, regulamentem e formatem tudo quando diga respeito aos usos e costumes.
Os Cidadãos Europeus estão fartos de que os Senhores Comissários os proibam de comer bolo-rei com fava e prenda, que os Senhores Comissários os proibam de comer o bacalhau salgado e tenhamos agora todos de o comprar congelado em caixinhas de cartão, que os nossos cães não possam caçar com a cauda cortada, e depois de cada dia de caça tenhamos de passar no veterinário para tratar as feridas, etc.
Os Politicos Europeus, estão definitivamente afastados dos Cidadãos Europeus e vivem numa redoma de vidro julgando-se intocáveis e com poder de decisão sobre o que o comum dos mortais deve ou não deve fazer na sua douta opinião, não tendo o minimo respeito pela liberdade individual e tratando latinos, germãnicos, e nórdicos como se tivessem todos as masmas ideias, temperamentos e costumes. Enquanto não aprenderem que dentro da igualdade Europeia têm de ser salvaguardadas as diferenças de cada povo, nunca hão-de conseguir o apoio dos Cidadãos Europeus, e a única forma de obterem resultados será à revelia desets apoiados pelas eliets politicas, cada vez mais constituidas por gente que pouco o nada sae fazer na vida prática e que como tal se "agarra" aos "tachos" partidários.
Publicado por: LGH às junho 6, 2005 04:56 PM
Constitui motivo de enorme estupefacção que não haja, visivelmente, da parte dos defensores dos vários "nãos" - alguns bem contraditórios entre si - uma posição clara e insofismável, como acontece entre os partidários do "sim".
E há uma questão que considero fulcral e que não vejo respondida por quem defende o "não", qual seja:
- E qual a alternativa à União Europeia prevista na Constituição que tanto se abjura?
A resposta, uma resposta completa, cabal, sem reticências e finalmente esclarecedora seria muito bem vinda. Virá?
Um pequeno auxílio:
Se se conclui, agora, que esta Europa, que vem sendo construída desde 1957, não serve, che fare? Volta-se a 1956?
Por favor, alguém esclareça. Sem esse esclarecimento, o contributo dos "nãos" para a construção de algo que a todos sirva, num destino que, queiramos ou não, terá que ser comum, sob pena de todos nos perdermos em considerações absurdas acerca da filosofia de vida do berbigão, enquanto o inimigo chega à nossa porta, revelar-se-á manifestamente insuficiente e nada construtivo.
Parecerá tão somente um "não" porque sim.
O que, sendo menos do que pouco, é nada. E o nada é o que resta, depois de tudo acabar. RIP!
Cumprimentos
Publicado por: ruvasa às junho 6, 2005 06:46 PM
Já vi que é um sítio muito democrático: comentários, só por "e-mail", não fosse algum português dizer de sua justiça com linguagem um pouco mais colorida.
Publicado por: JSNovo às junho 6, 2005 07:25 PM
Ruvassa, Quanto á sua pergunta - E qual a alternativa à União Europeia prevista na Constituição que tanto se abjura?- respondo apenas assim:
Com uma nova constituição feita por assembleia constituinte, elaborada por principios sociais, que defenda o serviço público, que não torne a Europa numa fortaleza de portas fechadas e janelas escancaradas á emigração, que defenda uma europa diferente da federal aqui proposta.....ou seja, uma constituição séria e não esta coisa neo liberal que nos querem impor por vontade de um directório. Podia passar a noite a escrever mas acho que entendeu o meu ponto de vista. Se não é só dizer.
Publicado por: Daniel Arruda às junho 7, 2005 12:15 AM
Este sitio é como o comentário na RTP1. É um monologo. Discussão, só o que ele quer, sempre que possivel a favor do sim, por outro lado parece que está a fazer campanha eleitoral para alguma Junta de Freguesia sempre com a sua imagem no centro do debate?????
Publicado por: NIM às junho 7, 2005 03:09 PM
Dou os meus cumprimentos pela criação de um sitio onde se discuta o porquê do "sim" à Constituição Europeia,contudo tal discussão deve englobar igualmente aqueles que se denominam defensores do não. tal como acontece aqui neste blog onde existem em conformidade opiniões a favor e contra a Constituição Europeia.
Contudo, e apesar destes meus cumprimentos, que são feitos por acreditar que todo e qualquer debate é bom para o esclarecimento do espírito humano, eu não sou a favor da Constituição Europeia, pois acho que se criou um pensamento ignóbil de existir uma Nação Europeia. Ora bem esta ideia (ideias, essa coisa que leva a idealismos e que por sua vez leva a cataclismos) de existir um povo comum, uma cultura comum e uma tradição comum a nível europeu, simplesmente não existe. Um inglês não se comporta como um portugês, e a cultura alemã é de longe parecida com a cultura espanhola. Já sem falar nos idiomas usados. Aliás nem se pode dizer que existe uma União Europeia na verdadeira acepção da palavra, pois o que existe não passa de uma União de EStados Europeus, ou seja, são alguns e não todos os países que se encontram no continente europeu.
Esta tentativa de criação de uma Nação-Estado Europeu, vai à maneira objectivista, fazer com que mesmo aqueles que não se sintam europeístas, terem que aceitar a designação de cidadãos europeus. E eu até sou europeísta, mas na medida em que penso numa Europa unida em que os países através das suas relações consigam tarzer até si um crescimento económico óptimo, não descurando as questões socias, utilizando igualmente modelos de desenvolvimento económico sustentável. Contudo acredito que estas boas ligações inter-estados são possíveis sem submeter países e as respectivas populações a uma organização supra-nacional total.
Outro dos grandes problemas que se colocam com a União Europeia, e que com o Tratado Cosntitucional ganha maior relevo, é o facto de as directivas e as normas comunitárias serem postas em práticas em todos os países de maneira igual sem se ter em conta o facto de cada país ter a sua especificidade, a sua cultura, a sua tradição o seu pensamento comum. E um bom exemplo veja-se o caso do embalamento do bacalhau. Como se pode dizer a um português que o bacalhau agora tem que ser todo embalado e posto em refrigeração, se durante anos este quanto o ia comprar às mercearias via o bacalhau em montra de modo a poder ver as características deste. São regras como esta que se tornam absurdas e fazem perder a especificidade das populações.
É preciso ver que a União Europeia tem dado uma grande ajuda a nível financeiro a Portugal, mas isso não deve passar daí, de ajuda financeira. Esta é o único ponto de de concordância com a União Europeia, mas apenas a nível económico e nada mais, pois para mim a integração total é absurda e desfasada da realidade das populações de cada país, da sua maneira de pensar e da cultura nestas.
É preciso que aquelas pessoas que fazem os designios da União Europeia, aliás, e encarando a União Europeia como sujeito, é preciso que a União Europeia deixe de ter aquele pensamento hobbesiano de que como os Estados não conseguem governar-se a si próprios (adoptando o pensamento de que os Estados sozinhos no seu estado natural são maus e irresponsáveis) devem juntar-se e fazer um pacto para que assim deleguem o seu poder e os seus direitos numa entidade superior que os saberá governar melhor ( na medida em que estes assim passam para um estado sociedade para que o príncipe, neste caso a União Europeia os governe melhor) do que eles governando-se sozinhos.
Em mais não me alongo e continuo a cumprimentar o Dr Pacheco Pereira pela criação deste espaço de verdadeiro debate, apenas com o sentimento de pena de que este espaço não ultrapasse este blog para o panorama de debate político ( e não partidário) a nível nacional.
Publicado por: Alfredo Fernandes às junho 9, 2005 12:30 PM
Pergunta a Daniel Arruda: E essa Constituição perfeita que nos descreve, vai fazê-la com quem? Com os seus amigos políticos? Quais são os Estados que vão dar mandato a essa "assembleia constituinte" para fazer a constituição que o senhor deseja, tão social e anti-ultra-liberal? Já reparou que ao rejeitar esta Constituição "horrível" vamos ficar a viver sob o regime do Tratados actuais, que são ainda mais neo-liberais, menos democráticos, mais de dierctório (para usar a sua linguagem) do que a Constituição? E que não vai ter mais nada do que isso por muito, muito tempo? Ou não percebeu que a escolha não era entre esta Constituição e a ideal, mas sim entre a actual (o tratado de Nice) e a que foi feita (pela primeira vez na história) por uma convenção em que estavam representados (maioritariamente!) os representantes eleitos dos povos europeus? E que ao rejeitar a "nova", fica com a "velha", a qual só pode ser mudada por "unanimidade"?? Essa é que era a verdadeira questão...o resto, são sonhos...
Mas, como sou bom perdedor, fico à espera da "assembleia constituinte europeia" e terei muito gosto se me tiver equivocado.
PS - (um pormenor, olhe que o "federal" é seguramente o melhor antídoto para o evitar o "directório" - já agora, qual é o "directório" que nos quer "impor" essa coisa "neo-liberal"?)
Publicado por: Vicente do Carmo às junho 9, 2005 02:09 PM
Quero felicitar MRS por ter coragem de dar a cara pelo sim. É verdade que se tornou moda entre os intelectuais portugueses ser pelo "não". Ou melhor, são todos tremendamente "europeístas", mas "não esta Europa, credo, uma coisa como deve ser, isto não". Isso é particularmente verdade entre os professores catedráticos de Direito, que andam aí pelos jornais a escreverem dislates, afirmando coisas sobre o tratado que são falsas (é ver o que dizem J Miranda sobre a Carta dos Direitos fundamentais ou Pitta e Cunha sobre o novo sistema de voto por maioria qualificada no Conselho, fica-se perplexo sem perceber se é ignorância ou má-fé). Por isso ainda aprecio mais a atitude de MRS. Debater é preciso, ser pelo não é tão legítimo como ser pelo sim, mas ao menos que se debata com uma mínimo de rigor, conhecimento de caua...para não falar em honestidade intelectual.
Publicado por: Luís Pedragosa às junho 9, 2005 02:22 PM
Pergunta a Alfredo Fernandes: Após elogiar o debate, o senhor esclarece que é contra a Constituição Europeia "pois acho que se criou um pensamento ignóbil de existir uma Nação Europeia". Primeiro, aconselho-o a utilisar um termo menos "agressivo" do que "ignóbill". Se o senhor acha que os que pensam de outro modo são movidos por algo de "ignóbil", o debate não é possível. Segundo, pode dizer-me em que pasagem da Constituição ou dos tratados actuais é que o senhor se baseia para afirmar que se baseia para afirmar que se criou esse pensamento de uma "Nação Europeia"? Não há nada na Constituição que vá nesse sentido (a não ser que seja o termo Constituição que incomode, mas por mim podem chamar-lhe tratdo constitucional Carta, Pacto, o que quiserem, não é aí que está a questão). Nada que ponha em causa os Estados-Nação (ou os outros, que também os há na UE). Pelo contrário, a Constituição afirma claramente que a UE só tem as competências que os Estados lhe dão, que tem de respeitar a identidade destes e que são estes que conservam "a chave" do sistema: o poder de rever os tratados. Nada pode ser mudado contra a vontade de Malta, mesmo que esteja sozinho, segundo a Constituição. Onde é que está esse poder superior que vai obrigar os Estados? A UE não existe sem e fora dos estados, as decisões na UE são tomadas pelos Estados (e pela câmara que representa os cidadãos desses estados). não há 25 Estados mais a UE, como se fosse um outrro e superior Estado? Nem nuca vai haver, em minha opinião. Por favor, o senhor tem todo o direito de ser contra a Constituição, mas não combata "moinhos de vento". A Constituição não cria nenhum dos "papões" em que o senhor acredita. Mas não pense que se pode ser a favor da Europa só porque nos dá muito dinheiro...ninguém dá nada, todos metem algo em comum porque todos ganham. Se queremos beneficiar do lado bom, também temos que aceitar que tem certos "inconvenientes"...como o de termos de respeitar as regras comuns que nos comprometemos a respeitar.
Publicado por: Vicente do Carmo às junho 9, 2005 04:30 PM