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junho 13, 2005
SARSFIELD CABRAL E A POLÍTICA FEITA AO ESTILO DOS IRMÃOS MARX
Irmãos Marx no Diário de Notícias.
O apelo de Chirac, Schroeder, Juncker e Barroso encontrou eco entre nós. Presidente da República, primeiro-ministro, líder do PSD, todos querem referendar em Portugal o tratado constitucional europeu. Pois seremos nós menos do que os franceses e os holandeses? Tem de haver referendo, pois não podemos aceitar que outros decidam por nós.
Esta argumentação é obtusa. O tratado só entra em vigor se for ratificado por todos os países da UE. Vários já o ratificaram, um deles (Espanha) por referendo, aliás pouco participado. Mas na França e na Holanda os eleitores deram um rotundo não ao tratado. A partir daí, o texto que iríamos votar em referendo deixou de ser viável nunca será aquele a vigorar, por muitas voltas que se dêem.
Publicado por JPP às junho 13, 2005 12:37 AM
Comentários
Boa noite JPP
Confesso, tristemente, que sou um leigo em matérias de Políticas Europeias mas tento neste momento contrariar essa lacuna. Fala-se muito em não haver informação suficiente e que os politicos (defensores do sim...) não se empenham o suficiente, mas penso que também parte um pouco de todos nós estudar-mos e pesquisar-mos sobre o assunto.
As noticias que recebemos são sempre mediáticas e descontexctualizadas. Ainda não vi nenhum trabalho jornalistico que nos explicasse directamente os principais pontos da constituição, quais os que nos afectam directamente, quais os que nos trazem vantagens ou desvantagens, etc, etc...
Em relação ao ponto em questão não concordo consigo, pelo menos de um ponto de vista ideológico e não empirico. O facto de os outros paises terem votado Não, e como tal inviabilzado o tratado, não significa que eu, Português, não diga aos Franceses e aos Holandeses, meus amigos eu penso que este é o caminho que nós devemos percorrer e como tal vamos ter que arranjar um entendimento em torno deste tratado (ou não).
Não fazer isto, caso se concorde com o sim (ou não), é deixar pura e simplesmente que 2 ou 3 definam o caminho de todos.
Qual é o problema de efectuarmos um referendo?São os custos? Mas se este referendo vai ser efectuado juntamente com as Autárquicas esses custos serão tão elevados assim?
Deixo também uma sugestão para a União Europeia e para a constituição: Sempre que for necessário referendar os cidadãos europeus, deverá ser marcada uma data única para todos os Países. Assim sabemos que os resultados não são influenciados por decisões de terceiros nem a abstenção será devida a desinteresse por documentos previamente "mortos".
Cumprimentos
Nuno Veríssimo
Publicado por: Nuno Veríssimo às junho 13, 2005 02:04 AM
Continuo a não perceber esta sua obstinação por cancelar o referendo ao tratado que estabelece a Constituição Europeia, é um pouco contrária ao apelo que o Sr Dr faz à reflexão e debate Europeu. Sim, na verdade, os holandeses, franceses ingleses e outros são realmente diferentes porque eles há muito tempo que reflectem, questionam, escrevem, criticam, opinam e promovem realmente a participação de todos os cidadãos nesse debate sobre o tratado e todo o processo da construção Europeia. Se o “sitio do Não”, incitou muita gente ao debate a nível nacional, o que é de louvar, porque não vamos aproveitar o referendo para pôr os cidadãos a pensar (ainda que seja uma minoria)?!!!!
Qual é a real participação e contribuição dos portugueses em todo processo evolutivo e de aperfeiçoamento do sistema da UE?
Não é a altura de se fazer um “Brainstorming”a nível nacional, repensando a participação de Portugal neste processo?
Quem sabe se assim não vamos ajudar neste parto tão difícil neste novo período da construção Europeia?
Portugal e a União Europeia precisam de nós vamos todos lutar e fazer algo de construtivo para que os portugueses passem a ser mais participativos e ajudem a mudar o rumo de Portugal e da U.E., porque não aproveitar a oportunidade do referendo?!!!...
Publicado por: Irene Gaspar às junho 13, 2005 09:22 AM
Estou de acordo com Nuno Verissimo. Porquê??
A resposta está neste excerto de texto de João César das Neves,(no DN de hoje), definindo a classe intelectual portuguesa:
«...O segundo elemento é a tradicional tendência dos intelectuais portugueses para o desespero e a consternação. Desde há séculos que nós gostamos de nos humilhar e apoucar. Toda a gente sabe que "este país" é trapalhão, preguiçoso e atrasado, que a economia "voa baixinho", e a sociedade "tem medo de existir", que a classe política é aldrabona e a económica parola. Nesta eterna ladainha de vitupérios, por muita razão que tenha, não há qualquer utilidade real...»
Publicado por: Isabel Moreira às junho 13, 2005 10:08 AM
Gostaria apenas de sublinhar um excerto deste artigo acerca da posição oficial e da opinião do Ministro dos Negócios Estrangeiros;
"Mais curiosa ainda foi a justificação posterior do próprio "acabou a lei da rolha", disse. Ou seja, todos os ministros (ou só ele?) poderão passar a dizer o que lhes venha à cabeça."
Devo confessar que admiro a pessoa, mas neste caso não posso concordar que o Prof. Freitas do Amaral tenha necessidade de expressar a sua opinião. Os ministros constituem o governo e as suas opiniões devem ser consideradas a orientação política deste.
Cumprimentos
Nuno Guimarães
Publicado por: Nuno Guimarães às junho 13, 2005 01:02 PM
O espaço é exíguo para lhe poder demonstrar o quanto aprecio a sua atitude no sentido de divulgar o que verdadeiramente faz parte da vida.
Tenho por si uma enorme estima...
e gostava muito que me visitasse no meu blog
http://scriptease.blogs.sapo.pt
Publicado por: André Domingues às junho 13, 2005 04:08 PM
No fim de tudo, temos de aceitar que:
-Houve um dia alguém que visualisou um objectivo que materializava o seu interesse;
-Depois definiu um caminho,o mais curto possível para o atingir;
- Por ser mais económico e porque estava mais ou menos esclarecida a zona a percorrer, lançou um carril e constituiu um comboio com varias carruagens (actualmente 25)que corre para esse objectivo definido;
- Agora quiseram dar o nome a esse objectivo (TCE)e os viajantes da segunda e da quarta carruagem disseram que não era esse o nome do lugar a atingir;
- Mas o comboio já corre há algum tempo em cima do carril.....e dizem que não existem ramais...ou qualquer alternativa;
-Quem conduz o comboio cumpre um mandato que lhe cometeram;
A pergunta que eu formulo,.... mero viajante de segunda ordem, baralhado na leitura do nome do lugar que tem o cumprimento de quatrocentas e tal páginas...... é,.... como é que se para este comboio e se desvia para outro lugar?
Haverá essa possibilidade?
Alguém que responda.....eheheheheh
O fundamento do NÃO....está nessa impossibilidade de mudar.....e vai ser uma confusão...ou então tudo vai seguir com mais ou menos solavancos....como previra o autor da maquinação.
cumps
Publicado por: jotabil às junho 13, 2005 05:38 PM
O pequeno comentário de Saarsfield Cabral é duma lógica transparente e imbatível; não me parece altura de reivindicações mais ou menos nacionalistas (que ironia...) para discutir o que dalgum modo já deixou de existir...Mas aproveite-se o tempo para discutir o que já está e o que aí virá (rima e é verdade!)
Publicado por: carolina às junho 13, 2005 06:34 PM
Peçp desculpa pelo a a mais de Sarsfield!
Publicado por: carolina às junho 13, 2005 06:37 PM
A obstinação dos líderes nacionais em seguir em frente com o referendo, não obstante os resultados em França e na Holanda, lembra um pouco o episódio do papagaio morto dos Monty Python, em que o dono da loja de animais recusava-se a aceitar o facto e insistia que o pássaro estava apenas a dormir, que era mesmo assim, calmo e calado.
O problema, para tomar o que já foi dito por outro leitor, é que um punhado de países pode mesmo decidir pelos 25: basta eles dizerem não para o projecto cair por terra, mesmo que todos os outros Estados membros digam sim. Estritamente falando, o resultado do referendo francês devia ter sido suficiente, mas julgo que a situação está prevista até, no máximo, cinco chumbos, caso em que a Convenção Europeia deverá seguir o que fazer.
Sim, os referendos deviam ter sido todos na mesma altura. Julgo que se discutiu, inclusive, a ideia de os fazer coincidir com as próximas europeias, mas o facto de não se ter tido a paciência e prudência necessárias para tal e, em vez disso, ter-se insistido em carregar no pedal, demonstra bem a falta de sabedoria dos líderes europeus: foram depressa demais em demasiadas coisas, sem as fazer com a devida dose de poderação e cuidado. Curiosamente, é o mesmo problema de muita da classe política portuguesa neste assunto, ou não nós tivessemos tido uma absurda revisão constitucional que mais pareceu um remendo em cima do joelho: emendou-se o texto apenas para permitir este referendo em particular, não se fez uma revisão séria, ponderada, duradoira.
Publicado por: Heliocoptero às junho 14, 2005 12:50 AM