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agosto 01, 2005

O SÍTIO DO NÃO SUSPENSO

Seria certamente mais fácil encontrar vontade política para uma negociação minimalista de um novo tratado do que ultrapassar as consequências políticas dos “nãos” já dados e as hipóteses muito prováveis dos outros “nãos” que não chegaram a ser dados. O adiamento não é sensato, nem eficaz. É uma medida típica do modo como a União está hoje. Adia-se tudo. É uma medida que prolonga o défice democrático actual. Com medo do “não”, foge-se do voto. A insistência num documento morto, e morto pelo voto, é irrealista e denota muita arrogância. É uma medida de cegueira, que hipoteca o realismo dos pequenos passos à sobrevivência da carreira política dos responsáveis por um “grande passo” para o abismo e que não querem admitir que erraram. Todas as ambiguidades de antes, continuam.

Adiado o referendo, cujo objecto deixou de se saber qual é, o SÍTIO DO NÃO é suspenso até que de novo a questão se coloque. Permanecerá em linha, aberto o seu sistema de comentários e eventualmente, sempre que se justifique comentar qualquer facto ou decisão que condicione o referendo português, voltará à vida.

Se a União tivesse bom senso, prudência e resolvesse sair do caminho utópico, arrogante, desigual e não democrático onde se meteu e de onde parece não saber sair, podia até ser que renascesse como SÍTIO DO SIM. Provavelmente terá que continuar como está, o lugar do “não”, e voltar de novo ao trabalho na altura própria.

Mas renascerá em melhores condições. Com a equipa dos voluntários que se ofereceram. Com o sucesso dos seus mil comentários, em tão pouco espaço de tempo. Com a força de ter contribuído para um debate que muitos não quiseram e que só o “não” obrigou e conseguiu. avar, e Cumpriu a sua missão. Para já.

Publicado por JPP às agosto 1, 2005 10:01 AM

Comentários

Caro Dr. Pacheco Pereira,
creio que ainda é cedo para fechar o sitio do não, pois o Sim deu ontem um mau exemplo de democraticidade, não desistiu, não quer entender, não concebe o atrevimento dos povos em discordarem do seu belo projecto. Como criança birrenta dizem; "não altero, não altero, não altero, ou é como eu escrevi ou não há outro texto" . Advinho também que os pensamentos serão; "voltarei a fazer os referendos necessários e as medidas de endoutrinamento necessárias para que aceitem".

POr isto tudo, porque a democracia está em crise, porque somos governados (com o perigo das generalizações)por uma classe de europeistas obstinados, autistas, emuladores da coisa pública no altar do liberalismo selvagem, não deveria fechar o sitio do não. A coisa pública, assim como a vida de qualquer cidadão, não se limita ao capital. É fundamental neste mundo cada vez mais selvagem e perigoso, mas não é o todo.

De qulquer modo, obigado pela oportunidade que nos deu e pela atitude democrática que revelou.

Publicado por: Antonio Lopes às junho 17, 2005 10:58 AM

é pena, porque finalmente ma voz se levantou pelo nao, mas esperemos k volte em breve.
agora espero que como o referendo foi adiado, os nossos politicos nao "ponham na gaveta" os esclarecimentos e os debates necessarios, porque ate agora, salvo dois debates televisivos as unicas iniciativa k ocorreram foram organizadas por Faculdades e sem grande projecção mediatica.
espero so que nao metam de novo o povo na gaveta.
E.N.P.B

Publicado por: alive às junho 17, 2005 11:13 AM

É mau isto acabar, mas também é mau todo o caminho que a Europa está a levar.
Aqui foi realmente um espaço onde pude tirar as minhas dúvidas e onde fiquei mais esclarecido quanto a questões sobre o referendo.
Acho que a discussão não devia acabar, aliás a verdadeira discussão devia era começar!

Publicado por: kamarrad às junho 17, 2005 11:18 AM

ESTE BLOGUE DEVERIA CONTINUAR PARA LEMBRAR!

Assim entremeava-se o colocar-se na gaveta o documento e depois voltarem com ele novamente sem lhe terem posto as mãos em cima para a sua alteração.

Mas deveremos ficar neste interim "à coca" para melhor nos apercebermos se há ou não coragem para trabalhá-lo!

Publicado por: soslayo às junho 17, 2005 11:54 AM

Há que saudar e agradecer a iniciativa que criou o Sítio do Não. Era preciso um grito democrático contra todo este processo constitucional europeu.

Era e continua a ser. O adiamento do processo de ratificação não é tão boa notícia como parece. Em vez de se renderem à evidência, os líderes europeus continuam presos na sua teimosia dogmática, arrogante e antidemocrática. Não deitaram o tratado para o lixo. Não aceitaram renegociá-lo. De facto, mantêm-no tal qual está e reiteram a sua intenção de o ratificar e empurrar pela garganta dos europeus abaixo (mesmo que para isso tenham de nos partir os dentes).

Este adiamento pretende apenas quebrar o que já se anunciava como uma vaga de Nãos à escala europeia (como se o voto dos cidadãos europeus fosse uma mera moda passageira, que muda daqui a um ano). Além disso, o que é mais pernicioso, a suspensão do processo visa dar aos líderes europeus e aos defensores do Sim armas para, daqui a um ano, fazerem uma chantagem ainda mais vergonhosa sobre os defensores do Não. Já os estou mesmo a ouvir: «vocês (os cidadãos da Europa democrática) já nos fizeram perder muito tempo. Não se atrevam agora a chumbar isto...»

Certamente, já não se justifica a urgência cívica com que o Sítio do Não foi criado, na perspectiva de um referendo que estava anunciado para o início de Outubro. Mas mesmo assim, que continue o debate --e que continue também aqui. Fechar a loja é abrir o flanco. E é bom que a Europa perceba que a oposição a este processo não vai de férias nem precisa de mais qualquer eufemístico «período de reflexão».

Pela minha parte, faço o que for preciso para manter o debate aberto.

Publicado por: João Paulo Batalha às junho 17, 2005 12:14 PM

Faço minhas as palavras de todos quantos agradeceram a acção do Dr. Pacheco Pereira em prol do NÃO ao Tratado para uma Constituuição Europeia. Foi, sem dúvida, mais do que um contributo uma intervenção absolutamente decisiva para que os partidários do SIM não impussessem antidemocraticamente aos portugueses a sua vontade. E mesmo que hoje a maior dos portugueses não o faça, Portugal inteiro agradecer-lhe-á um dia.

Quanto à suspensão do "Sítio do NÂO", embora desejasse que a referida suspensão não ocorresse, creio que devemos dar descanso ao Dr. Pacheco Pereira, sendo certo que podemos estar confiantes de que não deixará de estar atento. A nós cabe-nos fazer o mesmo.
Obrigada.

Publicado por: TMR às junho 17, 2005 01:31 PM

O sítio do SIM decidiu auto-suspender-se por falta de colaboradores...
O sítio do NÃO quer ficar suspenso por causa da derrota do SIM...
Nenhum dos dois nasceu de fortes convicções, de ideais ou de certezas. Se assim fosse nenhum teria desistido tão facilmente.
Eis-me desiludida, mais uma vez. Afinal são todos iguais!...

Publicado por: ivone às junho 17, 2005 02:41 PM

É preciso sentarmo-nos no limiar desse olhar que nos fornece os vultos do futuro.
Julgo que não se quer ir mais adiante naquilo que nos comove. Mas ficou o alerta de que há mais caminho para andar...que não é esta Europa desenhada como uma droga premeditada para sermos felizes por uns tempos.
O futuro é feito de outras marcas...outros sinais...a humanidade é um mar de possibilidades e não é preciso forçar o destino.....como ambicionam os eurocratas a soldo de mercadores.
Tudo se começa a desenhar....existem compromissos civilizacionais que temos de cumprir como portugueses....e existem risos que são só nossos e existem lagrimas que cheiram a sal do nosso mar....e existem gestos inacabados....que são só do nosso genoma ....do nosso povo ...um dia postergado para este lado fim da península de uma europa que sempre se cercou e distanciou.
Temos outro papel nos cenarios da nossa humanidade...existem povos que sentem com o olhar luminoso, a nossa falta ...o nosso carinho.....este modo tão silente da nossa resolução.
A Europa nega-nos na alma e no sentir....existem outros caminhos.....outros dramas ..sim....uma luta...uma incerteza....talvez "arrastões" ....como que a chamar....ao aceno que fizemos quando os visitámos...um aceno sob a égide da secretária da vida.....e por isso fácil de morrer....mas que garanto-vos, ainda existe ternamente nos olhos de quem nos acenou do outro lado.
Só nos terão se não nos negarem essa humanidade e não fizerem desta europa um santuário ...para as suas exclusividades ...que tentam dissolver nas garantias dos direitos que proclamam.
O tempo já é outro....e é preciso mudar esse iluminismo....racionalista e demasiado asséptico ...para a ternura de um acto de esperança feito de fé...de que a razão frutifique noutro universo.

As normas constitucionais apenas regulam uma realidade onde não se deseja que os afectos sejam atropelados.....e o que se queria aprovar eram corrimões de plásticos...Deus nos livre!!!!!

cumps

Publicado por: jotabil às junho 17, 2005 04:35 PM

Tenho pena que fique "suspenso" este blog, dado que sou um Leitor diário do mesmo, que apesar de não ter opiniões tão radicais como lemos no www.Forum-Nacional.net , que me tem ajudado a cimentar a minha opinião desfavorável ao "Sim" na Constituição que "todos" nos querem impor.

Cumps,
http://FilhoDeUmaNoite.blogspot.com

Publicado por: m às junho 17, 2005 05:00 PM

Como me parece que não vai ocorrer qualquer alteração ao Tratado, apenas a suspensão do processo durante algum tempo irei manter no "Fumaças" a rúbrica "100 vezes não à Constituição Europeia porque...". É claro que com menor periodicidade, mas mantenho-a.

Cumprimentos e espero que retome este blog rapidamente!

Publicado por: João Carvalho Fernandes às junho 17, 2005 11:12 PM

O que se passa nesse pais a beira-mar plantado e que temos uns quantos que acham que fazem do povo uma cambada de burros, agora que os outros 'europeus' acham que se deve adiar o referendo, nos tambem vamos adia-lo. O referendo esta morto, eu nao percebo como e que se pode ainda falar dele, depois do nao na Franca e na Holanda o tratado nao existe mais. E o que se passa e que estes eurocratas querem que daqui a uns anos a cambada ira votar SIM, porque ja nao teremos a Turquia na UE, e a Ukrania e a Belarus e talvez a Georgia, a Armenia, o Azerbeijao ( se eles podem jogar na UEFA?), e o Uzbekistan e talvez ate a China...e porque nao a Mongolia?
E ja agora o Alaska!
A Europa tem fronteiras, respeitem-se! Eu acho que, se continuarmos a nao ouvir as pessoas na Europa, esta nao tera futuro. Sera melhor acabar com CE, EEE, Eurozone, etc.
Olhemos em frente como ha 20 anos atras, e encalharemos nos nossos proprios destrocos, os portugueses ja estao a encalhar os seus barcos de pesca, agora so falta o resto do people.

Publicado por: JJ Magalhães às junho 18, 2005 01:09 AM

Ouvi hoje o nosso Primeiro Ministro declarar que este adiamento serviria para no futuro todos os países ratificarem o tratado. por estas palavras já sei o que nos vai acontecer . Vamos levar uma lavagem ao cérebro.

Publicado por: Vitor Manuel às junho 18, 2005 01:15 AM

Jean-Claude Juncker: "A Europa está numa crise profunda".

Eis uma boa notícia para os Portugueses que adoram procurar consolo na desgraça alheia: assim não estamos sós. Podemos carpir a crise em plena comunhão europeia, olhando as estrelas à espera de Godot. Todos os eurocratas são unânimes na necessidade de parar para reflectir. Portugal pode desde já adoptar a postura da estátua de Rodin e assim, parado e empedrenido, enquanto os musgos da política e os líquenes da informação tomam conta do Pensador, ficar eternamente à espera de ganhar vida própria e olhando a merda que o cobre, lavar-se e ir-se embora.

Publicado por: esgoto às junho 18, 2005 03:12 AM

Na verdade, a "pausa para reflectir" é uma prova mais da falta de uma liminar cidadania democrática por parte dos Governos. E tanto mais quanto pude ouvir ontem ser dito, na TV, que o Tratado seria o mesmo, depois do adiamento. Quere dizer: A reflexão é para os Povos, que disseram não e devem dizer sim, não para os Governantes. Penso que está na altura de questionar esta forma de democracia representativa, manifestamemte voltada de costas para as populações. E, sendo o Tratado obra da direita neoliberal, que assim se confirma anti-democrática, não deixa de ser sintomática a posição convergente do PCP, em querer também adiar o referendo.

Publicado por: Nereu às junho 18, 2005 09:02 AM

Depois do fracasso do tratado, vem o falhanço do adiamento. Como cereja no topo do bolo, a falta de acordo quanto aos aspectos financeiros. Que falta mais? Abyssus abyssum invocat...

Publicado por: Atl às junho 19, 2005 12:23 AM

Não faz qualquer sentido este sitio. O "Não" é o "Sim" à Extrema Direita Ultra-nacionalista.

Publicado por: Claudio às junho 19, 2005 12:19 PM

Lamento que suspensa o sítio do não. Mas, há muitos sítios do não. A campanha pelo não, podeia ser até um simpático (re)encontro de muitos portugueses com ideias políticas e sociais diferentes - nalguns casos opostas. As causas políticas dividem as pessoas e extremam campos opostos. Há um século já, Maurras o deplorava em "Quand les Français ne s'aimaient pas". Acabou condenado a prisão perpétua...
Causas abrangentes e transversais no espectro político, podem aproximar os portugueses e ajudar a compreender que quem tem ideias diferentes, não é necessáriamente um monstro. A demonização do outro, o medo e o ressentimento são sementes de violência e intolerância.
Afinal, republicanos e monárquicos, discípulos de Trotzky e neo-fascistas, podem abraçar, por motivos diferentes embora, causas comuns. Talvez seja um passo no caminho de se poderem abraçar uns aos outros. Ou ao menos, para aprenderem a respeitar-se mutuamente, e a mostrarem tolerância e respeito pela liberdade de expressão uns dos outros.
Quem lhe escreve é um, cujas ideias políticas são banidas pela lei e pela Constituição. Um, cujos direitos de expressão serão banidos pelo artigo 57 da Carta de Direitos Fundamentais. Um, que antes quereria viver na clandestinidade e defender a tiro e à bomba a independência nacional, que viver em liberdade num Portugal que polícias ou tropas do Eixo Paris-Berlim pisassem com as botas cardadas.
Vê como, dentro da minha cabeça rapada, há um Tico e um Teco a avelanarem de forma racional? Que não sou um monstro sanguinário e recista. Que apenas NÃO quero que o conto "A sentinela" de Eça de Queiroz, seja realidade no tempo dos meus filhos?
Bem haja pela iniciativa. Bom sucesso nos seus outros projectos. E... volte sempre ao campo de quem luta sempre do outro lado da luta.

Publicado por: Rui Lis às junho 19, 2005 12:59 PM

Caro Dr. Pacheco Pereira,

A aprovaçao do tratado europeu veio apenas por a nu as fragilidades da contruçao europeia e a fraca competencia dos actuais leaders europeus, que nos proprios elegemos!!!
Muitos deles, por limitaçoes proprias, nao trazem nada de novo a um processo tao complexo e, pelo contrario, limitam-se a aprender com as experiencias e a ganhar protagonismo para a sua vida profissional futura.
Tambem na area economica a europa esta a seguir um rumo em que esta a desistir de trabalhar, de investir, de criar riqueza e a dar o ouro ao bandido. Pode ser muito interessante a curto prazo para os grandes grupos economicos e financeiros, mas o povo e as PME nao entendem que sociedade estes politicos querem construir.
Um dia vao ter tambem de fazer uma pausa para refletir...
Os governos, mesmo os mais ricos, estao a ficar sem recursos e, por isso, nao conseguem chegar a acordo sobre o orçamento comunitario. Alargamentos, integraçoes e aberturas de mercado em marcha forçada feitas em nome de teorias economicas que carecem de prova nas condiçoes actuais, podem ter conduzido a esta situaçao.
Em minha opiniao o sitio da nao deveria mudar de nome e ser um espaço de reflexao do povo (internetico!) sobre a construçao europeia e a sua interaçao com a politica nacional.
A sua presença, como figura publica, seria imprescindivel para aglutinar este som de fundo que é abafado por uma orquestra desafinada que teima em nao se ouvir.
Parabens pela iniciativa.
Sinceros cumprimentos.
Joaquim D. Prata

Publicado por: J. D. Prata às junho 19, 2005 01:23 PM

Olá JPP. Cumprimentos.

O SÍTIO DO NÃO foi fechado.
Eu acho que é pena, porque o que está em causa é muito mais que o texto da dita Constituição Europeia, só por si assustador.
Para além da aterrorizante dita Constituição está o ideário assustadoramente neo-liberal dos burocratas de Bruxelas, que desprezaram completamente da Europa dos Cidadãos para privilegiar a Europa do Capital. Esqueceram-se esses Senhores que tanto o Capital como o Trabalho devem estar ao serviço do bem comum e que este deve prevalecer sobre aquele pela simples razão de que o Capital não é mais que acumulação de trabalho, sendo um factor de produção secundário, ao contrário do Trabalho, factor de produção primário, incontornável promotor da riqueza material e da dignidade do Homem. Esta, sim, deveria ser o foco de toda a atenção dos governos e dos organismos supra-nacionais como a UE. Não o está sendo e, por isso, os povos, mesmo sem conhecerem o texto da dita Constituição votam contra. Penso que se o conhecessem votariam ainda mais convictamente contra.
O Conselho - os burocratas dos países-membros imbuídos do mesmo ideário liberal - achou que se deveria encetar uma pausa para reflexão.
O que eles vão fazer neste interim é encetar uma intensa actividade de propaganda repleta de ameaças expressas e subliminares, de modo a intimidar os povos e levá-los a dizer sim, movidos pelo medo de que lhes suceda algo ainda pior do que o que lhes está sucedendo.
Por isso, eu preferiria que o SÍTIO DO NÃO continuasse. Há muito para discutir, incluindo o texto do Tratado.

Cumprimentos

DM

Publicado por: DM às junho 23, 2005 12:58 PM

O Tratado Constitucional foi adiado, mas o debate não pode parar. Desafio-vos a partilhar, n' "O Sítio do Sim" (http://ositiodosim.blogs.sapo.pt/), a vossa visão da Europa. Que Europa merece o vosso "Sim"?
Deixem um comentário ou enviem um e-mail para demolib@sapo.pt


Publicado por: Pedro Duro às junho 24, 2005 01:31 AM

Peço licença (e desculpa)ao Dr. Pacheco Pereira para incluir aqui um pouquinho do que penso sobre o assunto.

A Europa e a Constituição Europeia.
"Na natureza nada se perde nem nada se cria…". A frase e, sobretudo, o conceito, surgem-me como plenos de aplicabilidade ao que agora se discute: - a Europa e a sua Constituição. Explico: - tenho razões para ser partidário do SIM, como muitos dos meus outros neurónios activos (talvez os da minha esquerda residual) parecem querer aproximar-se do NÃO. Mas, como. no meio deste conflito de interesses, fico eu, corpo inteiro de pessoa física, moral, espiritual e intelectual, não terei outra opção senão votar no NIM. Explico: - com o NÃO tudo ficará como dantes. As velhinhas e ancestrais Nações europeias, ancoradas nas suas tradições seculares, continuarão a ser iguais a si mesmas. Usar-se-ão socas na Holanda e chapéus de coco na Grã-Bretanha. Recordar-se-ão o Bismark e o III Reich na Alemanha e torrentes de turistas continuarão a subir à torre Eifel em França. Por Espanha prosseguirão as touradas e o vinho do Porto continuará (até ver!) a provir das ingremes e soalheiras encostas durienses. A ópera continuará apanágio de "la dolce" Itália e as neves, o frio e o gelo permanecerão nos alpes suiços, no Tirol austríaco, e nas gélidas Noruega, Suécia e Finlândia assim como a chuva continuará a cair na Dinamarca. A Europa unida permanecerá retalhada e os conflitos serão resolvidos por tribunais de opinião política sem qualquer carácter prático ou decisório continuando os euro deputados de Estrasburgo a receber as suas ajudas de custo quando, como os operários da construção civil deslocados, forem às suas casas aos fins de semana. Os mídia continuarão a pontificar e a dado momento haverá duas fontes noticiosas por cada cidadão eleitor. Assim, e muito por alto, visiono a Europa do NÃO. Sem progresso. Estagnada. Por outro lado, a Europa do SIM, muito em breve dará lugar aos Estados Unidos da Europa. A estes seguir-se-ão os Estados Unidos da América do Sul. Seguir-se-ão, talvez, os Estados Unidos da África do Norte e, pouco depois, os Estados Unidos da África do Sul. O mesmo se deverá passar no continente asiático de onde emergirão os Estados Unidos da Ásia do Norte, os da Ásia Central e os da Ásia do Sul. O grupo de Estados que mais tardiamente se formará será o dos Estados Unidos da Oceânia que será tentado a agrupar, invocando razões onomásticas, além da Austrália e da Nova Zelândia, os estados insulares existentes no Pacífico. Então, uma vez agrupadas as etnias em nações, estas em estados soberanos e estes passando a ser individualmente unidos, surgirá uma nova questão: - porque não os Estados Unidos Globais do Planeta Terra? E, um dia, estes serão mesmo a nova realidade. Mas, tempos depois, após várias vicissitudes, dúvidas, encontros e desencontros de opinião entre os deputados dos Estados Unidos Globais do Planeta Terra, cuja capital, como paradigma de uma neutralidade inquestionável será algures na desconfortável e incorruptível Antártida, e que, por isso mesmo, estarão cheios de frio e ansiosos pelo regresso aos pequenos e confortáveis parlamentos que seus avós dantes ocupavam, será votado o REG (regresso), pois, para que a nova realidade política, social e económica seja viável (a despeito dos tremendos progressos que se prevêem no campo da informática), seja viável e se torne governável, terá de basear-se toda a sua estrutura de governo numa eficiente e radical descentralização administrativa. O REG (regresso) conduzirá, assim, à formação de uma espécie de províncias que mais não serão do que os antigos estados e países (aqueles em que hoje vivemos) tal como estavam antes de toda e qualquer fusão!... Voltarão assim as nacionalidades, os idiomas e os países... De facto, tal como Lavoisier já afirmara, e porque na natureza, nada se perde nem nada se cria, tudo se transforma, por isso e por tudo o mais que antevejo que o melhor seja esperar para ver e, neste caso, votar nem no NÃO nem no SIM mas no NIM… Posted by juliomoreno at junho 4, 2005 12:42 PM

Publicado por: Julio Moreno às junho 24, 2005 10:06 AM

Mesmo sem Constituição, a Europa-Estado continua, e cada vez mais se sentirá o seu peso sobre os Estados-membros. E a importância dos seus erros será mais sentida.

Seria bom que alguém como o Dr. Pacheco Pereira, que conhece os meandros da política Europeia, comentasse e explicasse os atropelos que estão a ocorrer na aprovação da Lei das Patentes de Software, importante para qualquer utilizador da informática.

São manobras como estas que me preocupam. E me fazem dizer não.

Publicado por: João Lopes às junho 30, 2005 06:14 PM

Quando vi hoje a frança e a inglatera politizando uns jogos olimpicos,lembrei-me de vir por aqui votar não.mas dei com a casa fechada:)))fica para outra vez.
O comentario de julio Moreno lembraram-me as farpas...porque será:))?

Publicado por: annie hall às julho 5, 2005 07:26 PM

Não conhecia o seu blogue... é deveras interessante!

Publicado por: Eu e a Minha Sombra ! às julho 6, 2005 10:24 PM

Malta ratificou ontem o Tratado Constitucional, POR UNANIMIDADE ! São já 12 as ratificações ! O Luxemburgo votará domingo ! A Europa avança e os traidores ficarão isolados...

Publicado por: Euroliberal às julho 8, 2005 07:17 PM

Luxemburgo aprova Tratado

Os luxemburgueses aprovaram o texto de um Tratado (cfr. notícia TSF) que cedo se quis enterrar. Será que aqueles (designadamente, portugueses) que se dizem a favor da Europa, mas contra este Tratado, estão dispostos a apresentar alternativas sérias? Conseguem explicar porque é que os luxemburgueses não foram arrastados pela "onda do Não" imposta pelos franceses?
in http://ositiodosim.blogs.sapo.pt/


Publicado por: Pedro Duro às julho 10, 2005 05:28 PM

Também penso que este sítio não deve fechar ainda, pois a questão do Tratado Constitucional está, infelizmente, longe de estar resolvida. Quero agradecer a JPP ter criado este sítio, não por ser eu partdidário do NÃO, mas sim por ser partidário do debate democrático.
Sendo eu funcionário da Comissão Europeia, não tenho pejo em dizer que estava (e estou) longe de ter decidido se me inclinaria para o SIM ou para o NÃO. Este sítio estava a ser uma boa ajuda...

Publicado por: Miguel Magalhães às julho 11, 2005 02:13 PM

E viva o Morto! O Luxemburgo aprovou a Constituição Europeia em referendo. Urra. Evidentemente, ninguém ligou. O primeiro-ministro, que presidiu à desastrosa teimosia da ratificação no primeiro semestre do ano, que levou a banhada que levou na França e na Holanda, congratulou-se com o facto de ter «posto a Constituição de novo na agenda política». Está certo.

Ao todo, 223 mil almas foram chamadas a pronunciar-se (no Luxemburgo, o voto é obrigatório). 56,52% votaram «Oui/Jo/Ja», contra 43,48% «Non/Nee/Nein», segundo o site oficial do Governo. O Luxemburgo está convencido de que exumou o cadáver. Esperemos que esteja errado.

O voto deste domingo faz com que, oficialmente, mais de metade dos países (13) já tenham ratificado o defunto, embora apenas dois (Espanha e agora o grão-ducado) por referendo --na Europa que eles querem, a democracia é opcional.

José Manuel (ex-Durão) Barroso saltou sobre a marca como se a Europa tivesse dobrado as Tormentas. Freitas do Amaral, e evidentemente os restantes bem-pensantes europeus, fizeram o mesmo. Deixá-los, coitados. A serena cidadania europeia se encarregará de os pôr no seu lugar.

Publicado por: João Paulo Batalha às julho 11, 2005 04:12 PM

Penso - e porventura, mal - que o não deveria prosseguir, pela simples razão de que não ficaram esgotados os fundamentos do não. Ficamos na situação do operário brasileiro que, não concordando com as medidas do Estado, respondeu, quando Erico Veríssimo lhe perguntou os motivos do não: "Porque é sempre agradável ser do contra" (Gato preto em campo de neve, ed. Livros do Brasil). Como o Estado não se encoraja a lançar um programa na TV , para esclarecer os prós e os contras da Constituição, ou pô-la à discussão entre um representante do não e outro do sim (porque estará apostado no sim, sem explicar porquê), julgo que o blog do não ainda restaria a única janela aberta para que o maior número de pessoas pudessem transmitir os fundamentos do não. Tanto mais que o blog permite a entrada na Constituição para consulta e consequente troca de impressões, entre os visitantes. Napoleão considerava que uma boa Constituição devia ser curta e obscura [como obscuras são as palavras], mas a legislação de suporte deveria ser clara e completa [na certeza de que, como afirmava Voltaire, "leurs nuances sont trop imperceptibles et trop nombreuses"]. Dito isto, eu proporia que os visitantes do blog se debruçassem sobre a Constituição, e exprimissem as suas discordâncias na generalidade (e porquê), e depois na especilidade (e porquê).

Publicado por: João Boaventura às julho 11, 2005 10:40 PM

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